Políticas de formação continuada de professores na América Latina: entre a regulação global, a performatividade e as mediações nacionais
DOI:
https://doi.org/10.5433/1984-7939.2026.v11.55229Palavras-chave:
Formação continuada docente, Políticas educacionais, América Latina, Regulação global, PerformatividadeResumo
As políticas de formação continuada docente têm se consolidado como um eixo estratégico das reformas educacionais na América Latina, particularmente sob a influência de organismos multilaterais como a UNESCO. Nesse contexto, o presente estudo problematiza como as diretrizes globais orientam as políticas de formação continuada e de que maneira estas são contextualizadas nos cenários nacionais. O objetivo consistiu em compreender comparativamente as políticas de formação continuada docente no Brasil, Argentina, Paraguai e El Salvador, identificando convergências, tendências e especificidades em relação à regulação global, à performatividade e às contextualizações nacionais. A pesquisa teve abordagem qualitativa de natureza analíticocomparativa, fundamentada na análise documental. O corpus de estudo teve como principal referência relatórios da UNESCO e documentos normativos e institucionais dos países selecionados. A análise foi organizada a partir de categorias previamente definidas, tais como concepção de formação continuada, relação com a carreira docente, regulação e articulação com processos de avaliação. Os achados evidenciam a presença de lógicas performativas associadas a mecanismos de avaliação, regulação e responsabilização docente. Além disso, identificam-se modelos diferenciados de formação continuada: a Argentina prioriza abordagens situadas e coletivas; o Paraguai apresenta uma governança alinhada às regulações globais e às necessidades locais; o Brasil evidencia características híbridas e fragmentadas; enquanto El Salvador desenvolve políticas orientadas ao fortalecimento institucional e à atualização docente vinculada a processos de melhoria educacional. Conclui-se que a formação continuada docente na América Latina constitui um campo marcado por tensões entre racionalidades globais e contextualizações nacionais, no qual as políticas educacionais são reinterpretadas segundo as particularidades históricas, institucionais e territoriais de cada país, o que demanda propostas mais críticas, contextualizadas e articuladas com as práticas docentes.
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