Escrevivência como metodologia de resistência: narrativas negras e a produção de memória contra-hegemônica
DOI:
https://doi.org/10.5433/2176-6665.2025v30e53393Palavras-chave:
escrevivência, memória, mulheres negras, epistemologia, narrativas insurgentesResumo
Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre a escrevivência como ferramenta teórico-metodológica, epistêmica e política para a produção de memória contra-hegemônica a partir da crítica à ciência moderna e da valorização de epistemologias corporificadas e situadas. A escrevivência, compreendida a partir de Conceição Evaristo, é adotada aqui como ferramenta metodológica e epistêmica que permite reinscrever a experiência negra feminina na produção de conhecimento. Articulando autoras como Sueli Carneiro, Grada Kilomba, Patricia Hill Collins e bell hooks, argumenta-se que a escrita de si, ancorada na experiência, constitui um gesto de resistência e de denúncia contra o epistemicídio, além de um modo de reconfigurar a memória coletiva e afirmar saberes situados. Conclui-se que a escrevivência, ao romper com a neutralidade da ciência hegemônica, amplia as possibilidades da pesquisa qualitativa comprometida com a justiça epistêmica e com a valorização da voz das mulheres negras.
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