De Caminha a Iracema: Efeitos de Sentido sobre a Mulher Indígena Brasileira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5433/boitata.2025v20.e52421

Palavras-chave:

Análise do discurso, Carta de Pero Vaz de Caminha, Iracema

Resumo

O discurso produzido a respeito do sujeito indígena, presente na fase do Romantismo ufanista, funciona por meio da repetição de dizeres anteriores. Assim, surgiu o seguinte questionamento: como as séries de repetições, na prática discursiva sobre a mulher indígena brasileira, se constituem no romance Iracema? Para responder a essa indagação, objetiva-se analisar como a memória discursiva, responsável pela formulação de dizeres sobre a mulher indígena, é construída na obra literária Iracema por meio das repetições do discurso presente na chamada “Carta de Descobrimento do Brasil”. Pretende-se observar os discursos referentes à mulher indígena contidos na obra de José de Alencar, contrapondo-a à carta de Pero Vaz de Caminha, a fim de analisar os efeitos de sentido produzidos no corpus selecionado. A metodologia que norteia esta produção é a Análise do Discurso de linha francesa. O arcabouço teórico apoia-se em Pêcheux (1995), Althusser (1970), Indursky (2011), Orlandi (1984, 1998, 2008, 2010, 2015), entre outros. Com base nessas pesquisas, observa-se o funcionamento da memória discursiva que, por meio das repetições ao longo dos anos, manteve ou ressignificou os dizeres produzidos a respeito do sujeito indígena feminino.

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Biografia do Autor

Helen Vanessa Silva Lopes, Universidade Federal do Maranhão

Graduanda do curso de Letras/Libras na Universidade Federal do Maranhão.

Vandilma Sousa Aguiar, Universidade Federal do Maranhão

Graduanda do curso de Letras/Libras na Universidade Estadual do Maranhão.

Marcelo Nicomedes dos Reis Silva Filho, Universidade Federal do Maranhão

Doutor em Letras, Linguagem e Sociedade. Professor adjunto de Letras/Libras na Universidade Federal do Maranhão.

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Publicado

2025-12-19

Como Citar

LOPES, Helen Vanessa Silva; AGUIAR, Vandilma Sousa; SILVA FILHO, Marcelo Nicomedes dos Reis. De Caminha a Iracema: Efeitos de Sentido sobre a Mulher Indígena Brasileira. Boitatá, Londrina, v. 20, n. 40, p. 1–10, 2025. DOI: 10.5433/boitata.2025v20.e52421. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/boitata/article/view/52421. Acesso em: 17 maio. 2026.