Antifeminismo e conspiritualidade nas novas mídias digitais: propiciação algorítmica ou reação às políticas de gênero?
DOI:
https://doi.org/10.5433/2176-6665.2025v30e52411Palavras-chave:
estudos de gênero, discurso, redes sociais digitais, conspiritualidade, antifeminismoResumo
Este artigo analisa a atuação do influenciador digital Lucas Scudeler nas novas mídias digitais, com ênfase na disseminação de discursos antifeministas. A investigação está ancorada nos estudos de gênero e fundamenta-se em uma abordagem crítica e interdisciplinar, com o objetivo de discutir a importância do letramento digital (Lucchesi, 2014), sobretudo diante da propagação de desinformação, misoginia (Valente, 2023), discurso de ódio (Butler, 2021) e outras formas de violência de gênero mediadas por tecnologias (Bailey et al., 2021). A pesquisa empírica foi conduzida ao longo de sete meses, entre dezembro de 2023 e junho de 2024, utilizando procedimentos metodológicos da etnografia digital (Batista et al, 2017) e da netnografia (Kozinets, 2014). O resultado evidenciou uma narrativa paralela à que vem sendo estabelecida pelo campo científico dos estudos de gênero; sua construção pode ser considerada uma reação à luta e aos avanços de direitos de mulheres e da comunidade LGBTQIAPN+ na contemporaneidade, bem como às dinâmicas algorítmicas, como a conspiritualidade e a formação de públicos antiestruturais (Cesarino, 2022).
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