A centralidade da interseccionalidade para teoria e artivismo queer: estratégias de construção de uma futuridade cuir

Autores

Palavras-chave:

teoria queer/cuir, interseccionalidade, decolonialidade, gênero, artivismo

Resumo

O presente texto reflete sobre a complexa relação entre a teoria e o ativismo queer e os debates sobre interseccionalidade e decolonialidade. A problemática central questiona se a interseccionalidade e a decolonialidade fornecem subsídios para reformular o uso do termo queer no contexto latino-americano, de luta contra a homogeneização. O objetivo é analisar essa relação, a partir de um estudo de caso focado na cantora Linn da Quebrada, e propor estratégias de construção de uma Futuridade Cuir, que demonstra ser a decolonialidade vital para subverter a estrutura de poder eurocentrada. Os resultados principais indicam que a interseccionalidade é fundamental para evitar a homogeneização das experiências queer, ressaltando a necessidade de incluir questões de raça e classe nas discussões. O artivismo de Linn da Quebrada, que conjuga as opressões de “bixa, preta, favelada, travesti”, serve como um vetor de operacionalização dessa futuridade queer/cuir, desafiando as estruturas opressoras através da desidentificação e desobediência linguística. A convergência dessas abordagens é essencial para a emancipação política e humana.

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Biografia do Autor

Pedro Henrique Almeida Bezerra, Universidade Estadual do Ceará

Doutor em Sociologia (2023). Docente do Curso de Serviço Social da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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Publicado

2026-03-05

Como Citar

BEZERRA, Pedro Henrique Almeida. A centralidade da interseccionalidade para teoria e artivismo queer: estratégias de construção de uma futuridade cuir . Mediações - Revista de Ciências Sociais, Londrina, v. 31, p. e52054, 2026. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/article/view/52054. Acesso em: 27 mar. 2026.

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Artigos

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