"Mulher virtuosa, quem a achará?": heteronormatividade compulsória e processos de subjetivação religiosa em uma comunidade terapêutica católica
DOI:
https://doi.org/10.5433/2176-6665.2025v30e51393Palavras-chave:
substâncias psicoativas (SPAs), comunidade terapêutica, indivíduos não heterossexuaisResumo
Este artigo analisa a trajetória de mulheres não heterossexuais dentro de uma comunidade terapêutica (CT) católica. As CTs podem ser definidas como espaços financiados majoritariamente por entidades religiosas e governamentais que buscam reabilitar usuários de substâncias psicoativas (SPAs) fundamentalmente por meio da abstinência. Com base nos dados obtidos através de entrevistas e observação de campo, é possível concluir que, no âmbito da comunidade terapêutica estudada, as mulheres não heterossexuais são acolhidas de maneira particular, enfrentando discursos permeados por moralidades religiosas e não religiosas.
Downloads
Referências
ARCHER, Margaret. Realismo e o problema da agência. Estudos de Sociologia, v. 6, n. 2, p. 51-75, 2000.
ASAD, Talal. Genealogies of religion: discipline and reasons of power in Christianity and Islam. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1993.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
CARRANZA, Brenda. Renovação carismática católica: origens, mudanças e tendências. Aparecida: Santuário, 2000.
CERTEAU, Michel de. A invenção do quotidiano. Petrópolis: Vozes. 1990.
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade: a vontade de saber. 9. ed. São Paulo: Paz & Terra, 1988.
FREITAS, Lorena R. T. de. A importância do reconhecimento social na construção da identidade sexual de mulheres não heterossexuais no sul da Bahia. Cadernos Pagu, v. 64, p. 1-14, 2022.
GIDDENS, Anthony. A constituição da sociedade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009.
GOFFMAN, Erving. A ritualização da feminilidade. In: GOFFMAN, Erving. Os momentos e seus homens. Lisboa: Relógio D’Água, 1999, p. 154-89.
GOFFMAN, Erving . Estigma. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.
HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 5, p. 7-41, 2009.
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Nota Técnica 21: Perfil das comunidades terapêuticas brasileiras. Brasília: IPEA/DIEST, 2017.
LOECK, Jardel. Comunidades terapêuticas e a transformação moral dos indivíduos: entre o religioso-espiritual e o técnico-científico. In: SANTOS, Maria Paula (org.). Comunidades terapêuticas: temas para reflexão. Rio de Janeiro: IPEA, 2018. p. 77-100.
MACHADO, Carly Barboza. Pentecostalismo e o sofrimento do (ex-)bandido: testemunhos, mediações, modos de subjetivação e projetos de cidadania nas periferias. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre: UFRGS (impresso), v. 20, p. 153-180, 2014.
MENEZES, Manita; BECCARI, Marcos Namba. A moda e a Teoria Queer: o unissex e o gênero neutro. Dobras, Barueri, SP, v. 32, p. 211-234, 2021.
PIRES, Roberto Rocha Coelho. Um campo organizacional de comunidades terapêuticas no Brasil? Dos processos de convergência e suas implicações às clivagens emergentes. In: SANTOS, Maria Paula (org.). Comunidades terapêuticas: temas para reflexão. Rio de Janeiro: IPEA, 2018. p. 133-166.
PRECIADO, Beatriz. Manifesto contrassexual. São Paulo, SP: N-1, 2017.
RIBEIRO, Naiana. Especialistas refletem sobre como a heteronormatividade compromete as relações. Portal Geledés, São Paulo, 13 maio 2019.
RIBEIRO, Fernanda Mendes Lages; MINAYO, Maria Cecília de Souza. As Comunidades Terapêuticas religiosas na recuperação de dependentes de drogas: o caso de Manguinhos, RJ, Brasil. Interface – Comunicação, Saúde, Educação [online], v. 19, n. 54, 2015.
RUI, Taniele. Corpos abjetos: etnografia em cenários de uso e comércio de crack. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2012.
SANTOS, Maria Paula. Introdução. In: SANTOS, Maria Paula (org.). Comunidades terapêuticas: temas para reflexão. Rio de Janeiro: IPEA, 2018. p. 09-16.
SOUZA, Fernando. Os efeitos da conversão religiosa entre egressos de comunidades terapêuticas: uma análise comparativa. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2021.
TARGINO, Janine. Características de uma comunidade católica carismática no atendimento a dependentes químicos: estudo de caso. Reflexus: Revista Semestral de Teologia e Ciências das Religiões, v. 10, n. 15, p. 183-203, 2016.
TARGINO, Janine. Interfaces entre religião, uso problemático de drogas, moralidades e gênero em comunidades terapêuticas. In: RUI, Taniele; FIORE, Mauricio (org.). Working Paper Series: Comunidades Terapêuticas no Brasil. Brooklyn: Social Science Research Council, 2021. p. 107-121.
TEIXEIRA, Cesar Pinheiro. O testemunho e a produção de valor moral: observações etnográficas sobre um centro de recuperação evangélico. Religião & Sociedade, v. 36, p. 107-134, 2016.
TORRES, Mariana Coelho; COUTO JUNIOR, Dilton Ribeiro; BRITO, Leandro. “Eu não posso ir pra escola do jeito que eu quero”: sobre a necessidade de se planejar estratégias de resistência às (hetero)normas. Prâksis, Novo Hamburgo: Feevale, v. 2, p. 107, 2019.
TORRES, Marco Antônio; PEDROSO, Amanda. O reconhecimento de existências lésbicas e a lesbofobia no ensino superior. Linhas Críticas (online), v. 26, p. 1-18, 2020.
VILLAR, Nayara; SANTOS, Maria Paula. Sexualidade e relações de gênero nas comunidades terapêuticas: notas a partir de dados empíricos. In: SANTOS, Maria Paula (org.). Comunidades terapêuticas: temas para reflexão. Rio de Janeiro: IPEA, 2018. p. 101-119.
WARNER, Michael (ed.). Fear of a queer planet: queer politics and social theory. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1991.
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Janine Targino

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os direitos autorais relativos aos artigos publicados em Mediações são do(a)s autore(a)s; solicita-se aos(às) autore(a)s, em caso de republicação parcial ou total da primeira publicação, a indicação da publicação original no periódico.
Mediações utiliza a licença Creative Commons Attribution 4.0 International, que prevê Acesso Aberto, facultando a qualquer usuário(a) a leitura, o download, a cópia e a disseminação de seu conteúdo, desde que adequadamente referenciado.
As opiniões emitidas pelo(a)s autore(a)s dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade.
Dados de financiamento
-
Social Science Research Council
Números do Financiamento Drugs, Security and Democracy Program






























