Arquiteturas do medo: atmosfera e Stimmung no cinema de horror

Autores

Palavras-chave:

horror, atmosfera, stimmung, estética, estudos de cinema

Resumo

Este artigo investiga o papel das categorias de atmosfera e Stimmung na construção da experiência horrífica no cinema. Parte-se de uma abordagem conceitual que distingue a atmosfera como qualidade difusa do espaço fílmico e a Stimmung como disposição existencial que sintoniza audiência e obra. O horror é compreendido, assim, como um gênero estético que depende da produção de climas de medo e repulsa. A análise combina uma cartografia conceitual com o exame de cenas de filmes históricos e contemporâneos, evidenciando como recursos materiais – luz, cor, som, montagem e cenários – são mobilizados para produzir experiências imateriais. Argumenta-se que o horror opera fundamentalmente por meio da construção de atmosferas capazes de envolver sensorialmente o espectador. Conclui-se que a eficácia do gênero reside na capacidade de converter elementos formais em disposições afetivas, tornando a experiência do medo não apenas visível, mas sobretudo sensível.

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Biografia do Autor

Rodrigo Carreiro, UFPE

Doutor em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (2011). Docente junto ao Departamento de Comunicação Social e ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco. 

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Publicado

2026-04-19

Como Citar

CARREIRO, Rodrigo. Arquiteturas do medo: atmosfera e Stimmung no cinema de horror. Mediações - Revista de Ciências Sociais, Londrina, v. 31, p. e53981, 2026. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/article/view/53981. Acesso em: 27 abr. 2026.

Edição

Seção

Dossiê: Estudos de clima, humor e atmosfera no Brasil. (2026/1)

Dados de financiamento