“Cafezinho, dona Helena?”: a representação da trabalhadora doméstica na novela Laços de Família
Palavras-chave:
trabalho doméstico, representação midiática, telenovela, estudos culturais, ativismo digitalResumo
O artigo explora a representação da trabalhadora doméstica Zilda na telenovela Laços de Família (2000), exibida pela Rede Globo. Na trama, a personagem, uma mulher negra, não tinha contexto próprio e servia apenas para apoiar as histórias dos patrões brancos, a exemplo da protagonista Helena. Com a reexibição da novela em 2021 e a discussão do tema da redação do Enem 2023, intitulado ‘Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil’, surgiram críticas nas redes sociais digitais sobre a representação da personagem. Neste sentido, o estudo analisa qualitativamente publicações de dois perfis do Instagram: Negritude em letras e Descolonize.educa, que criticam essa representação trazendo como pano de fundo a redação do Enem. Usando teorias de ativismo digital e estudos culturais, investigamos como a narrativa foi reinterpretada criticamente, destacando a interseção entre gênero, raça e mídia.
Downloads
Referências
ARAÚJO, Roberta. Cafezinho, dona Helena? Sete décadas de telenovelas brasileiras regados a estereótipos e blackface. Intocrim, 5 maio. 2023. Disponível em: https://www.introcrim.com.br/representatividade-cafezinho-dona-helena/ Acesso em: 24 jul. 2024.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011.
BRASIL. Ministério da Educação. Tema da redação: desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil. Brasília, DF: MEC, 5 nov. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/enem/tema-da-redacao-desafios-para-o-enfrentamento-da-invisibilidade-do-trabalho-de-cuidado-realizado-pela-mulher-no-brasil. Acesso em: 19 jun. 2024.
BRITES, Jurema; PICANÇO, Felícia. O emprego doméstico no Brasil em números, tensões e contradições: alguns achados de pesquisas. Revista Latino-Americana de Estudos do Trabalho, Rio de Janeiro, v. 19, n. 31, p. 131-158, 2014. Disponível em: https://livrozilla.com/doc/1284972/o-emprego-dom%C3%A9stico-no-brasil-em-n%C3%BAmeros. Acesso em: 05 jan. 2025.
CAMPOS, Luiz. A; FERES JÚNIOR, João. Televisão em cores? Raça e sexo nas telenovelas “Globais” (1984-2014). Gemaa, Rio de Janeiro, n. 10, p. 1-24, 2015.
CANCLINI, Néstor García. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2013.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Tradução de Roneide Venâncio Majer. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1999. Volume I. Disponível em: https://perguntasaopo.files.wordpress.com/2011/02/castells_1999_parte1_cap1.pdf. Acesso em: 10 mar. 2022.
CAVALCANTI, Davi B. JARDELINO, Fábio. Ativismo digital no Brasil contemporâneo. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 6, n. 7, p. 42560, jul. 2020. Disponível em: https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/12520/10501. Acesso em: 15 mar. 2022.
CUNHA, Isabel F. Memórias da telenovela: programas e recepção. Lisboa: Livros Horizonte, 2011.
DESCOLONIZE.EDUCA. Problemas cotidianos da Helena em sua cobertura no Leblon - Laços de Família. 7 nov. 2023. Instagram: @descolonize.educa. Disponível em: https://www.instagram.com/reel/CzWpOF5rnCD/?igshid=cHk2cHBqbzhtNmJs. Acesso em: 20 jun. 2024.
ENNES, Marcelo Alário. MARCON, Frank Nilton. Das identidades aos processos identitários: repensando conexões entre cultura e poder. Revista Sociologias, Porto Alegre, ano 16, n. 35, p. 274-305, jan./abr. 2014.
FENATRAD – FEDERAÇÃO NACIONAL DAS TRABALHADORAS DOMÉSTICAS. Trabalho doméstico no Brasil. Brasília, DF: FENATRAD, [2024]. Disponível em: https://fenatrad.org.br/trabalho-domestico/. Acesso em: 24 jul. 2024.
FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala. São Paulo: Global Editora, 2006.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
GRIJÓ, Wesley P.; SOUSA, Adam H. F. O negro na telenovela brasileira: a atualidade das representações. Estudos em Comunicação, Covilhã, n. 11, p. 185-204, maio 2012. Disponível em: https://www.ec.ubi.pt/ec/11/pdf/EC11-2012Mai-09.pdf. Acesso em: 23 jul. 2024.
GUIMARÃES, Nadya Araujo; HIRATA, Helena Sumiko; SUGITA, Kurumi. Cuidado e cuidadoras: o trabalho do care no Brasil, França e Japão. In: HIRATA, Helena; GUIMARÃES, Nadya Araujo. Cuidado e cuidadoras: as várias faces do trabalho do Care. São Paulo: Atlas, 2012. p. 79-102.
HALL, Stuart. Cultura e representação. Rio de Janeiro: Editora PUC Rio, 2016.
HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.
KELLNER, Douglas. A cultura da mídia: estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno. Bauru, SP: EDUSC, 2001.
KILOMBA, Grada. Grada Kilomba: desobediências poéticas. São Paulo: Pinacoteca de São Paulo, 2019b.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019a.
KRIPPENDORFF, Klaus. Content analysis: an introduction to its methodology. 3. ed. Thousand Oaks: Sage, 2013.
LEAL, Ondina Fachel. A novela das oito: produção e consumo de ficção. Rio de Janeiro: Vozes, 1986.
LECCI, Alice C. L.; PASSOS, Luiz. A. A negação do Brasil: estereotipagem e identidade negra. Revista Educação, Artes e Inclusão, Florianópolis, v. 14, n. 2, p. 117-134, abr./jun. 2018. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/arteinclusao/article/view/ 10486/pdf. Acesso em: 23 jul. 2024.
LIMA, Juliana Domingos de. Thalma de Freitas fala sobre as mudanças no Brasil desde que viveu Zilda em Laços de Família há 20 anos. Ecoa.UOL, 7 fev. 2021. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/reportagens-especiais/thalma-de-freitas-enquanto-existir-o-quarto-de-empregada-a-luta-continua/ Acesso em: 24 jul. 2024.
LIMA, Luciano. Os direitos humanos na sociedade digital: interfaces possíveis. Porto Alegre: Buqui Livros Digitais, 2015.
LOPES, Maria Immacolata V. Telenovela como recurso comunicativo. MATRIZes, São Paulo, v. 3, n. 1, p. 21-47, ago./dez. 2009.
MACEDO, Renata M. Espelho mágico: produção e recepção de imagens de empregadas domésticas em uma telenovela brasileira. Cadernos Pagu, Campinas, n. 48, e164817, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cpa/a/Kszw6pdjxhYw7dpRh5hgmCt/?lang=pt. Acesso em: 6 jan. 2025.
MALCHER, Maria A. Teledramaturgia: agente estratégico na construção da TV aberta brasileira. São Paulo: Intercom, 2010.
MARQUES, Darciele P.; LISBÔA FILHO, Flavi Ferreira. A telenovela brasileira: percursos e história de um subgênero ficcional. Revista Brasileira de História da Mídia, Guarapuava, v. 1, n. 2, p. 73-81, jul. dez. 2012.
MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. 2. ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 2003.
MEMÓRIA Globo. Rio de Janeiro: Globo, [2024]. Disponível em: https://memoriaglobo.globo.com/ Acesso em: 29 jul. 2024.
MUNANGA, K. Negritude: usos e sentidos. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.
NEGRITUDE EM LETRAS. Zilda e a invisibilidade do trabalho doméstico. Olha o tema da redação do Enem aí. 7 nov. 2023. Instagram: @negritudeemletras. Disponível em: https://www.instagram.com/reel/CzWxmPVp150/?igshid=MXhwOGxoaWF6emhwbQ%3D%3D. Acesso em: 20 jun. 2024.
NUNES, Everton de Almeida. Da cozinha ou da sala? “Que horas ela volta?” Estudo de recepção com domésticas e patroas. 2018. 185 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão/SE, 2018.
OLIVEIRA, Luiz. Entre a cozinha e o quarto de empregada: a representação de trabalhadoras domésticas no audiovisual. Blog SOS Imprensa, Brasília, 12 ago. 2022. Disponível em: https://sosimprensa.wordpress.com/2022/08/12/entre-a-cozinha-e-o-quarto-de-empregada-a-representacao-de-trabalhadoras-domesticas-no-audiovisual/ Acesso em: 24 jul. 2023.
PASCUAL, Manuel G. A silenciosa tomada de poder do ativismo digital. Caderno de Tecnologia do Jornal El País, Madrid, 8 dez. 2017. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/08/tecnologia/1512753235_185478.html. Acesso em: 25 jul. 2024.
PEREIRA, Edimilson de Almeida; GOMES, Núbia Pereira de Magalhães. Ardis da imagem: exclusão étnica e violência nos discursos da cultura brasileira. Belo Horizonte: Mazza Edições; Editora PUC Minas, 2001.
PICCHIO, Antonella. Unpaid work and the economy. Boca Raton: Routledge, 2003.
RONSINI, Veneza. Mercados de afeto: telenovela, consumo e moralidades entre camadas populares. Porto Alegre: Sulina, 2012.
SCHERER-WARREN, Ilse. Dos movimentos sociais às manifestações de rua: o ativismo brasileiro no século XXI. Política & Sociedade, Florianópolis, v. 13, n. 28, p. 13-16, set./dez. 2014. DOI: http://dx.doi.org/10.5007/2175-7984.2014v13n28p13.
SELLAN, Carla. Cultura e ideologia: reflexões sobre trabalho doméstico e sua representação nas telenovelas brasileiras. Intratextos, Rio de Janeiro, v. 11, n. 1, p. 60-85, 2020.
SOUZA, Mariana Filgueiras de. Distopia e protagonismo da trabalhadora doméstica no romance Luxúria, de Fernando Bonassi. Opiniões, São Paulo, n. 22, p. 127-144, 2023. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/opiniaes/article/view/206807. Acesso em: 23 jul. 2024.
TECHIO, Elza Maria, LIMA, Marcus Eugênio Oliveira (org.). Cultura e produção das diferenças: estereótipos e preconceitos no Brasil, Espanha e Portugal. Brasília: Technopolitik, 2011.
VARGAS, Júlia. Louça, lençol e toalha: a intimidade limitada como repertório de demarcação na relação entre diaristas e suas clientes. Ponto Urbe: Revista do Núcleo de Antropologia Urbana da USP, São Paulo, v. 1, n. 31, 2023. Disponível em: https://revistas.usp.br/pontourbe/article/view/216930/198466. Acesso em: 05 jan. 2025.
VASCONCELOS FILHO, José M.; COUTINHO, Sérgio. O ativismo digital brasileiro. Coleção O que Saber? São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2016. Disponível em: https://fpabramo.org.br/publicacoes/wp-content/uploads/sites/5/2017/10/Ativismo-digital-WEB1.pdf. Acesso em: 15 mar. 2022.
WILLIAMS, Raymond. Marxismo e literatura. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Alliston Fellipe Nascimento dos Santos (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os direitos autorais relativos aos artigos publicados em Mediações são do(a)s autore(a)s; solicita-se aos(às) autore(a)s, em caso de republicação parcial ou total da primeira publicação, a indicação da publicação original no periódico.
Mediações utiliza a licença Creative Commons Attribution 4.0 International, que prevê Acesso Aberto, facultando a qualquer usuário(a) a leitura, o download, a cópia e a disseminação de seu conteúdo, desde que adequadamente referenciado.
As opiniões emitidas pelo(a)s autore(a)s dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade.
Dados de financiamento
-
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Números do Financiamento 88887.713786/2022-00































