Entre esquecimento e memória: ausência presente da Mãe em Jesusalém
DOI:
https://doi.org/10.5433/boitata.2025v20.e53009Palavras-chave:
Memória, Esquecimento, Literatura africana, Heterotopia, JesusalémResumo
É objetivo do artigo analisar a situação da figura da Mãe falecida no romance Jesusalém de Mia Couto (2009). Fundamentado na discussão sobre a memória e o esquecimento, o presente trabalho pretende pesquisar o estado paradoxal da Mãe em Jesusalém, designadamente, a ausência presente. Em primeiro lugar, adotamos o conceito de heterotopia de Michel Foucault (2013) e a metáfora de sepultura de Aleida Assmann (2012a) para interpretar a prescrição do esquecer. Descobrimos que o esquecimento é instrumentalizado como estratégia de governação, visando reeditar a memória coletiva através da dissociação e repressão. Em segundo lugar, a ideia de vestígio de Aleida Assmann (2011) é utilizada para explorar os fragmentos da memória, que por um lado, surgem materialmente nas peles dos habitantes e, de outro lado, estão carregados pelos visitantes do exterior devido à acessibilidade da heterotopia. Neste processo, percebemos a convertibilidade entre o esquecimento e a memória, bem como a forma como os rastros não verbais podem ser arquivados como lugar de memória. Com base nisto, a nossa conclusão é que o estado da Mãe constitui uma existência do trauma, já que ela está ausente como memória inassimilável e está presente, simultaneamente, como esquecimento não pacificado.
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