Tatuagens de socioeducandas em cumprimento de liberdade assistida: marcas discursivas que engendram a constituição do sujeito pela linguagem
DOI:
https://doi.org/10.5433/1519-5392.2025v25n2p86-111Palavras-chave:
Linguagem, Marcas discursivas, AdolescentesResumo
Este artigo tem o propósito de refletir sobre as narrativas que emergem através das manifestações discursivas apresentadas nas tatuagens de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de liberdade assistida. A tatuagem, concebida como um texto multimodal, pode ser compreendida enquanto uma das formas de expressão da linguagem que imprime um estilo próprio ao sujeito discursivo, que se expressa a partir das marcas tatuadas em seu corpo. A luz dos postulados bakhtinianos, buscou-se compreender as relações dialógicas que permeiam o discurso revelado nas tatuagens, as quais corroboraram para a assinatura desses sujeitos e suas marcas discursivas que são históricas, sociais e culturais. A metodologia adotada foi de natureza qualitativa do tipo participante, utilizando a vídeo gravação e as tatuagens como instrumento para produção dos dados. Com base em três categorias bakhtinianas "eu-para-mim", o "eu-para-os-outros" e os "outros-para-mim", observou-se que as manifestações discursivas apresentadas pelas participantes revelaram marcas do olhar do outro, as quais imprimiram e marcaram o olhar que tinham e têm de si e que as tatuagens, enquanto signo ideológico e multimodal, refletiam/refletem e refratam as realidades de cada uma delas.
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