Silêncio e formação de leitores em Migrantes, de Issa Watanabe
DOI:
https://doi.org/10.5433/1519-5392.2025v25n5p388-405Palavras-chave:
Silêncio, Educação Literária, MigrantesResumo
Este artigo tem por objetivo refletir sobre o papel do silêncio na formação de leitores críticos e sensíveis, analisando o livro ilustrado Migrantes, de Issa Watanabe (2019), como corpus de estudo. A pesquisa apoia-se no referencial teórico de Bajour (2012, 2023), Petit (2009) e nas concepções do Grupo de Pesquisa em Educação Literária (GPEL/UFPE), que compreendem a educação literária como prática formativa, ética e estética. Metodologicamente, trata-se de uma análise qualitativa e interpretativa das escolhas visuais e narrativas da obra, com ênfase na construção de sentidos pelo silêncio gráfico, pelos contrastes cromáticos e pelos símbolos recorrentes (galhos, mala, ave azul e morte). Os resultados indicam que a ausência de texto verbal desafia o leitor ainda mais a praticar a leitura dos silêncios, exigindo maior engajamento na construção de sentidos, na elaboração subjetiva das emoções e no diálogo crítico com a narrativa. O silêncio em Migrantes emerge como recurso expressivo e dispositivo ético, convidando o leitor a uma fruição lenta e a um “tempo aiônico” que resiste à lógica produtivista. A análise evidencia que obras visuais silenciosas ampliam a sensibilidade estética e a consciência crítica, reforçando a necessidade de projetos institucionais de educação literária que acolham múltiplas linguagens e promovam experiências de leitura significativas para além do espaço escolar formal.
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Referências
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