Colocando fermento pra massa: possibilidades de trabalho com a criticidade e a alteridade através do gênero canção

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5433/1519-5392.2025v25n3p97-117

Palavras-chave:

Criticidade, Alteridade, Canção

Resumo

Alinhado aos estudos dialógicos do discurso e à pedagogia crítica, este trabalho salienta que os documentos oficiais norteadores do ensino de linguagens têm como premissa que a consciência crítica é algo latente na formação humana do estudante, mas desconsideram que ultrapassar a ponte da ingenuidade para a criticidade demanda exercício contínuo no olhar sobre os discursos que circulam em todas as esferas, não só a escolar. Como forma de trazer subsídios para repensar essa questão, buscamos respaldar uma prática educativa comprometida com o desenvolvimento da criticidade discente através de um olhar alteritário sobre o enunciado. Para tanto, neste artigo, trazemos a elucidação de alguns conceitos atinentes ao escopo desta pesquisa, apresentamos a análise de uma canção à luz do Tetragrama de análise multissemiótica de canções do grupo GECAN/ NELA-UFSC e, por último, sugerimos uma prática educativa que envolva criticidade e alteridade por meio da canção analisada.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Michela Ribeiro Espindola, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutoranda em Linguística Aplicada e estuda o gênero canção como objeto multissemiótico de ensino-aprendizagem junto ao projeto GECAN - NELA/UFSC, atua como professora na educação básica junto à Secretaria de Educação do Estado do Rio Grando do Sul. Fez especialização em Leitura e Produção textual (UFPEL) e, posteriormente,em Neuropsicopedagogia Institucional Inclusiva, orientação e supervisão escolar (UNIBF). É mestra em Letras pela Universidade de Santa Catarina e licenciada em Letras - Português/ Espanhol e suas respectivas literaturas pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande. 

 

Marcos Antônio Rocha Baltar, Universidade Federal de Santa Catarina

Atualmente investiga "A canção como um gênero de discurso multissemiótico influenciando construções identitárias: da corte francesa do século XIII à polis do século XX, na França e no Brasil", é vinculado ao Núcleo de Estudos em Linguística Aplicada, NELA, do Programa de Pós-graduação em Linguística, PPGL, da Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, possui Licenciatura em Língua Portuguesa e Língua Francesa pela UFPEL, mestrado em Linguística pela UFSC e doutorado em Teorias do Texto e do Discurso pela UFRGS. Pós-doutorado em Didactique des Langues na UNIGE, Suiça, supervisionado por Jean-Paul-Bronckart. Pós-doutorado em Formations de Maîtres no ESPE de Versailhes, Université Cergy Pontoise, França, supervisionado por Max Butlen. 

 

Referências

BAKHTIN, M. M. Estética da criação verbal. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

BAKHTIN, M. M. Os gêneros do discurso. 1. ed. São Paulo: Ed. 34, 2016.

BALTAR, M. A. R. O conceito de tipos de discurso e sua relação com outros conceitos do ISD. In: MACHADO, A. R.; GUIMARÃES, A. M.; COUTINHO, A. (org.). O interacionismo sociodiscursivo: questões epistemológicas e metodológicas. Campinas: Mercado de Letras, 2007. p. 145-161.

BALTAR, M. A. R.; BARON, R.; FRAGA, C. F. Práticas educativas dialógicas com análise multissemiótica de canções de denúncia. Revista Fórum Linguístico, Florianópolis, v. 19, n. 4, p .8570-8585, out./dez. 2022. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/forum/article/view/83687/52423. Acesso em: 10 dez. 2024.

BALTAR, M. A. R.; GONÇALVES, A.; PACHECO, G.; RODRIGUES, H. Oficina da canção: do maxixe ao samba-cançāo. Curitiba: Appris, 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação é a base. Brasília, DF:MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 5 dez. 2024.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quatro ciclos do ensino fundamental: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF,1998.

FERMENTO para massa. Intérprete: Criolo. Belo Horizonte: StudioSol, [2024]. Disponível em: https://www.cifraclub.com.br/criolo/fermento-pra-massa/. Acesso em: 13 dez. 2024.

FREIRE, P. Conscientização: teoria e prática da libertação. São Paulo: Cortez & Moraes, 1980.

FREIRE, P. Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.

FREIRE, P. Conscientização. São Paulo: Cortez 2021.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 57. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2016.

GERALDI, J. W. (org.). O texto na sala de aula: Leitura & Produção Paraná, Assoeste, 1984.

GERALDI, J. W. Portos de passagem. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

SOBRAL, A.; GIACOMELLI, K. Por uma proposta de educação dialógica alteritária. Línguas & Letras, Cascavel, v. 21, n. 49, p. 7-27, 2020. Disponível em: https://e- revista.unioeste.br/index.php/linguaseletras/article/view/24675. Acesso em: 10 ago. 2024.

Downloads

Publicado

14-08-2025

Como Citar

ESPINDOLA, Michela Ribeiro; BALTAR, Marcos Antônio Rocha. Colocando fermento pra massa: possibilidades de trabalho com a criticidade e a alteridade através do gênero canção. Entretextos, Londrina, v. 25, n. 3, p. 97–117, 2025. DOI: 10.5433/1519-5392.2025v25n3p97-117. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/entretextos/article/view/52202. Acesso em: 11 jan. 2026.