Formação de professores no Instituto Federal do Ceará: reflexões sobre decolonialidade, racialização e ensino de línguas
DOI:
https://doi.org/10.5433/1519-5392.2025v25n2p01-21Palavras-chave:
Formação de professores, Ensino de línguas, Decolonialidade, Racialização, CurrículosResumo
Discutimos neste texto a formação de professores de línguas, inglesa e espanhola, no Instituto Federal de Educação do Ceará (IFCE), sob o olhar das epistemologias decoloniais. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa e de configuração documental a partir da análise dos Programas de Unidade Didática (PUD) de duas disciplinas voltadas para aspectos de língua e cultura. Abordamos a relação desses elementos com o ensino de línguas enquanto prática linguística racializada (Bonfim, 2021) por meio dos tópicos: a) teorias decoloniais e currículos; b) formação de professores de línguas e decolonialidade. Evidenciamos como os conceitos de língua e cultura são forjados pela/para a colonialidade do saber, uma vez que as leituras de mundo disponibilizadas pelos currículos reforçam relações de poder desiguais, além de forjar subjetividades com bases em práticas coloniais e colonizadoras. Nesse sentido, compreendemos os currículos como racializados, pois são confeccionados, majoritariamente, pela branquitude acadêmica. Concluímos que a atitude decolonial é fundamental para a formação docente comprometida com a justiça social, pois, uma vez que a língua é a materialização de paradigmas e formas de ser no mundo, é por meio dela que podemos desfazer os construtos da colonialidade e evidenciar narrativas e epistemologias outras.
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