AmarElo: história, resistência, poesia e elaboração do passado
DOI:
https://doi.org/10.5433/boitata.2025v20.e52428Palavras-chave:
AmarElo, Emicida, Elaboração do passado, Memória coletivaResumo
Este artigo analisa o documentário AmarElo – É tudo para ontem (2020), do rapper, ativista e multiartista Emicida. A película em questão trata dos bastidores de um show no Theatro Municipal de São Paulo, referente à turnê do disco que leva o mesmo nome do documentário. “É tudo para ontem” é um convite para reelaboração do passado, visto que AmarElo almeja celebrar e resgatar o legado da cultura negra do país. Para analisar esse substrato, recorre-se a reflexões sobre a colonialidade do poder em países da América Latina, com perspectivas de Aníbal Quijano (2005), à voz de Theodor Adorno (1995) acerca da concepção de elaboração do passado e indústria cultural, a Walter Benjamin (1994, 1995) para tratar sobre a memória coletiva e a discussões em torno de racismo enquanto trauma, por meio de apontamentos especialmente de Maria Rita Kehl (2010) e Grada Kilomba (2019). Percebe-se que AmarElo é um instrumento audiovisual político e um arquivo histórico que auxilia a elaboração do passado da cultura negra no Brasil e do próprio país e ainda excede a visão de seu espectador, mostrando o quão pertinente é a evocação dessa história, ignorada pela narrativa oficial do país, confirmando a escravidão como um evento traumático (Kehl, 2010) e a função transformadora da arte (Adorno, 2001).
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