Fotografia: a centelha que (re)acende os mortos
DOI:
https://doi.org/10.5433/boitata.2025v20.e53434Palavras-chave:
Fotografia, Memória, Suplemento BiográficoResumo
Este artigo investiga como a fotografia atua como rastro de reinscrição existencial dos mortos, inclusive daqueles que não chegaram a nascer, articulando imagens, memória e presença sob uma perspectiva transdisciplinar. A partir das contribuições teóricas dos autores Paul Zumthor e Vinciane Despret, o estudo propõe que a fotografia é mais do que uma técnica de registro visual: ela funciona como enunciação cultural viva, convocando os mortos à cena do presente. Por meio de uma abordagem qualitativa e teórico-reflexiva, o texto perpassa por álbuns fotográficos até imagens médico-técnicas como as ultrassonografias, entendidas como dispositivos de antecipação de existência. As fotografias compreendidas como veículos de memória, afetos e continuidade relacional, podem ser um tipo de “suplemento biográfico”, no sentido dado por Despret ao se referir aos dispositivos pelos quais os vivos continuam escrevendo a existência dos mortos, resistindo a sua dissolução. O estudo conclui que narrar os mortos — por meio principalmente da imagem, mas também através de palavras ou gestos — é também afirmar o desejo de viver com eles, reinscrevendo sua presença no tecido sensível da cultura e da vida cotidiana.
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