Impacto de nematoides entomopatogênicos sobre operárias de Apis mellifera L. (Hymenoptera: Apidae) Africanizada

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5433/1679-0359.2020v41n6Supl2p3441

Palavras-chave:

Abelha africanizada, Controle biológico, Steinernema spp, Heterorhabditis spp.

Resumo

As populações de abelhas africanizadas (Apis mellifera L.) vêm diminuindo devido, principalmente, ao intenso uso de inseticidas sintéticos. Desde modo, o emprego de agentes de controle biológico tem-se intensificado de forma a minimizar este impacto no ambiente. Estes produtos são, de modo geral, mais seguros aos insetos não-alvos, como as abelhas que são importantes insetos polinizadores. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos de nematoides entomopatogênicos utilizados para controle de insetos pragas, sobre a longevidade de operárias de A. mellifera africanizada. Foram utilizados sete tratamentos: Heterorhabditis amazonensis, Heterorhabditis bacteriophora, Heterorhabditis indica, Steinernema carpocapsae, Steinernema feltiae e Steinernema rarum, na concentração de 40 juvenis infectantes por cm2 (JIs/cm2), e como testemunha água destilada autoclavada. Para isso foram realizados dois bioensaios: 1) Pulverização dos nematoides sobre as operárias e 2) Pulverização dos nematoides em placas de vidro, nas quais as abelhas permaneceram por duas horas em contato. Cada tratamento foi composto por cinco repetições com 20 abelhas cada. As abelhas foram mantidas em gaiolas de PVC (20x10cm) cobertas com tecido voile e fornecidos pedaços de algodão embebido em água e pasta Candy. As gaiolas foram mantidas em sala climatizada (27 ± 2 °C, U.R. 60 ± 10%, fotofase de 12 h) e a mortalidade avaliada de 12 até 240 horas. No bioensaio 1 os três tratamentos com nematoides do gênero Steinernema reduziram a longevidade das operárias (103,9; 96,3 e 99,6 horas) quando comparados aos tratamentos com Heterorhabditis (149,7; 126,8 e 134,7 horas). Entretanto, dentre estes apenas H. amazonensis (149,7 horas) não diferiu da testemunha (166,0 horas). No bioensaio 2, todos os tratamentos reduziram a longevidade das abelhas (155,4 a 93,9 horas) em relação à testemunha (176,1 horas). Os nematoides entomopatogênicos, especialmente Heterorhabditis, necessitam ser testados em outras metodologias e em diferentes tempos de exposição e aplicação, pois em laboratório se mostraram pouco seletivos a A. mellifera.

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Biografia do Autor

Gabriela Libardoni, Universidade Estadual de Londrina

Discente do Curso de Doutorado Programa de Pós-Graduação em Agronomia, Universidade Estadual de Londrina, UEL, Londrina, PR, Brasil.

Raiza Abati, Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Discente do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, UTFP, Campus Dois Vizinhos, Dois Vizinhos, PR, Brasil.

Amanda Roberta Sampaio, Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Discente do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, UTFP, Campus Dois Vizinhos, Dois Vizinhos, PR, Brasil.

Fernanda Caroline Colombo, Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Discente do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, UTFP, Campus Dois Vizinhos, Dois Vizinhos, PR, Brasil.

Rodrigo Mendes Antunes Maciel, Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Discente do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, PPGZO, UTFPR, Campus Dois Vizinhos, Dois Vizinhos, PR, Brasil.

Bruna Guide, Universidade Estadual de Londrina

Discente do Curso de Doutorado Programa de Pós-Graduação em Agronomia, Universidade Estadual de Londrina, UEL, Londrina, PR, Brasil.

Fabiana Martins Costa-Maia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Profª Drª, Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, PPGZO, UTFPR, Campus Dois Vizinhos, Dois Vizinhos, PR, Brasil.

Everton Ricardi Lozano, Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Prof. Dr., Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas, UTFPR, Campus Dois Vizinhos, Dois Vizinhos, PR, Brasil.

Pedro Manuel Oliveira Janeiro Neves, Universidade Estadual de Londrina

Prof. Dr., Programa de Pós-Graduação em Agronomia, UEL, Londrina, PR, Brasil.

Michele Potrich, Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Profa Dra, Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas, UTFPR, Campus Dois Vizinhos, Dois Vizinhos, PR, Brasil.

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Publicado

2020-11-06

Como Citar

Libardoni, G., Abati, R., Sampaio, A. R., Colombo, F. C., Maciel, R. M. A., Guide, B., Costa-Maia, F. M., Lozano, E. R., Neves, P. M. O. J., & Potrich, M. (2020). Impacto de nematoides entomopatogênicos sobre operárias de Apis mellifera L. (Hymenoptera: Apidae) Africanizada. Semina: Ciências Agrárias, 41(6Supl2), 3441–3448. https://doi.org/10.5433/1679-0359.2020v41n6Supl2p3441

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