Por uma educação linguística que considere múltiplos discursos

"Professora, me desculpe, mas agora vou falar!"

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5433/1519-5392.2025v25n3p118-133

Palavras-chave:

Produção Discursiva, Educação Linguística, Diversidade

Resumo

Este artigo reflete sobre alternativas pedagógicas viáveis para o ensino e produção textual, com foco na valorização de saberes populares e na promoção de uma práxis interativa e inclusiva. A partir das contribuições de teóricos como Bakhtin (2003) e Foucault (1999), que discutem a linguagem como um espaço de poder e resistência, e Magro (2002), que enfatiza a importância de considerar a realidade social e cultural dos alunos, o texto propõe a incorporação de movimentos culturais como o Hip Hop e o Funk no ambiente escolar. Esses movimentos, ao utilizarem a arte e a linguagem como formas de expressão e resistência, oferecem um campo fértil para a reflexão sobre a diversidade linguística e a desconstrução do modelo de ensino tradicional. A análise aponta que, ao reconhecer e respeitar as linguagens presentes no cotidiano dos estudantes, a escola pode ampliar o entendimento sobre diferentes formas de linguagem, incentivando a autoria e o pensamento crítico. Dessa forma, a escrita deixa de ser vista como um processo imposto e normativo, transformando-se em um espaço de criação livre e de expressão autêntica. O trabalho propõe, portanto, uma educação que dialogue com as realidades sociais dos alunos e promova práticas pedagógicas interativas e significativas.

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Biografia do Autor

Camila Cristina de Oliveira Alves, Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Pesquisadora de Pós-doutorado, bolsista da Pró-Reitoria de Pesquisa da UNESP. Possui doutorado em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista (2017), foi PhD Student Research Associate na Queen Mary University of London (2015-2016) e Visiting Researcher na University of the Western Cape (2024). Áreas de interesse: Análise do Discurso; Antropologia Linguística; Ensino e Aprendizagem; Estudos Culturais; Estudos Decoloniais, Hip Hop; Literatura; Relações Étnico Raciais e de Gênero; Semiótica.

Marina Célia Mendonça, Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Pós-doutorado (2018-2019), Doutorado (2002-2006) e Mestrado (1993-1995) em Linguística pela UNICAMP (Campinas-SP). Graduação em Letras pela UNICAMP. Docente e pesquisadora do Departamento de Linguística, Literatura e Letras Clássicas da UNESP (FCL/Araraquara-SP), onde atua na graduação e pós-graduação na área da Análise Dialógica do Discurso. Foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa da UNESP-Araraquara no quadriênio 2013-2016. É vice-líder do grupo de pesquisa SLOVO - Grupo de Estudos do Discurso (CNPq). Foi coordenadora do Programa do PIBID de Língua Portuguesa, vinculado ao curso de Letras da Unesp de Araraquara-SP (2020-2022). Tem interesse nos estudos sobre: letramentos; subjetividade, intersubjetividade e alteridade; polêmicas em discursos contemporâneos; discurso político. Suas pesquisas recentes têm enfocado práticas de escrita em diferentes campos de atividade e polêmicas presentes no discurso sobre ensino/aprendizagem de línguas e nas mídias.

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Publicado

14-08-2025

Como Citar

DE OLIVEIRA ALVES, Camila Cristina; MENDONÇA, Marina Célia. Por uma educação linguística que considere múltiplos discursos: "Professora, me desculpe, mas agora vou falar!". Entretextos, Londrina, v. 25, n. 3, p. 118–133, 2025. DOI: 10.5433/1519-5392.2025v25n3p118-133. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/entretextos/article/view/52200. Acesso em: 11 jan. 2026.