Conceição Evaristo: vida, ancestralidade e legado
A revista Boitatá divulga esta chamada especial de artigos em comemoração aos 80 anos de Conceição Evaristo, a ser celebrada em 2026. Escritora, poeta, ensaísta e uma das vozes mais potentes da literatura brasileira contemporânea, Conceição Evaristo tem desempenhado um papel fundamental na (re)construção de uma narrativa que enfoca as histórias, saberes e experiências das populações negras, especialmente das mulheres negras. A partir de sua escrita atravessada pela noção de "escrevivência", Conceição Evaristo rompe com as estruturas tradicionais da literatura brasileira, oferecendo uma perspectiva crítica sobre o racismo, o sexismo e as violências históricas perpetuadas contra corpos negros. Sua obra reflete um compromisso com a ancestralidade e com a ressignificação das memórias coletivas, tornando-se um marco na luta por uma literatura que repensa os limites do cânone..
Nesta edição especial, propomos um olhar que entrelace passado, presente e futuro sob o mote de “vida, ancestralidade e legado”, buscando compreender o legado de Evaristo não apenas como um fenômeno literário, mas também como uma potência teórica e política. Convidamos pesquisadoras, pesquisadores e intelectuais a enviarem artigos que dialoguem com sua obra por meio de abordagens que possam incluir, mas não se limitam a:
- i) Interseccionalidade nas narrativas de Evaristo e sua relação com as questões de gênero, raça e classe;
- ii) Decolonialidade e resistência ao epistemicídio literário;
iii) Racismo linguístico e a valorização da oralidade nas suas obras;
- iv) Feminismo negro e a centralidade das mulheres negras como sujeitas da história;
- v) Ancestralidade e espiritualidade nas narrativas;
- vi) O conceito de "escrevivência" e suas implicações teóricas e estéticas;
vii) Perspectivas sobre o futuro do legado de Conceição Evaristo na literatura brasileira e mundial.
Além disso, incentivamos reflexões que estabeleçam conexões entre a obra de Evaristo e outros autores e autoras da literatura negra nas Américas e nas Áfricas, bem como discussões que articulem suas contribuições para campos como a crítica literária, os estudos culturais, a educação e os movimentos sociais, a partir de perspectivas críticas e/ou decoloniais.












