Formação continuada no contexto bi/multilíngue
uma discussão a partir do "nada"
DOI:
https://doi.org/10.5433/2237-4876.2025v28n1p104-121Palavras-chave:
Educação bi/multilíngue, Autoetnografia, TranslinguagemResumo
Este artigo, recorte de uma tese de doutorado em andamento, tem como objetivo problematizar as contradições no discurso de uma formadora e discutir as pistas de resistência menores (Gallo, 2008) que emergem em sua fala. Busca-se, assim, evidenciar os limites e potencialidades da formação continuada de professores no contexto de um programa bilíngue. A fundamentação teórica apoia-se nos conceitos de translinguagem (Brum, 2022; Rocha; Megale, 2023), educação maior e menor (Gallo, 2008), além da tensão entre monoglossia e heteroglossia (García, 2009), para identificar indícios de resistência à visão monoglóssica de língua em um ambiente fortemente marcado pelo corporativismo, que trata a língua como produto e a proficiência como bem de consumo. As reflexões exploram as contradições no discurso da formadora e indicam que, embora esses conceitos se tensionem em uma zona de contato, a busca por outros agenciamentos rumo a uma educação que valha a pena ser vivida evidencia o impacto da micropolítica dos afetos e os movimentos de desestabilização do “eu”. A partir de uma perspectiva autoetnográfica (Adams; Holman Jones; Ellis, 2022; Chang, 2016), o artigo espera contribuir para o debate sobre o potencial insurgente da educação bi/multilíngue.
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