Do tijolo ao verbo: a construção do sujeito em Vinícius de Moraes
DOI:
https://doi.org/10.5433/1678-2054.2026vol46n1p9Palavras-chave:
Poesia Social, Consciência de classe, SujeitoResumo
Este artigo propõe uma análise crítica do poema “O operário em construção”, de Vinícius de Moraes, sob a tese de que sua forma não é um adorno, mas o próprio mecanismo que edifica a consciência revolucionária do protagonista. A investigação desdobra-se em três níveis interdependentes: o fônico, o lexical e o sintático-semântico. No plano sonoro, demonstra-se como a redondilha maior transita de uma metáfora da alienação para uma marcha da consciência, enquanto a rima em “-ão” alicerça foneticamente os pilares da opressão, rompida pela negação final. Lexicalmente, o estudo mapeia a jornada de um vocabulário de concretude material a um campo de substantivos abstratos que nomeiam a epifania. Por fim, a análise explora como o paralelismo sintático e a subversão da narrativa bíblica cristalizam a dialética da luta de classes. O artigo conclui que, ao fundir forma e conteúdo de maneira indissociável, Vinícius de Moraes não apenas narra, mas performa a transformação de seu operário, provando que a conquista da liberdade é, fundamentalmente, um ato poético de reconstrução da linguagem e do sujeito.
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