Oportunidades perdidas: uma análise da variação linguística em livros didáticos
Resumo
Com base na Sociolinguística Educacional (Bortoni-Ricardo, 2004; Bagno, 2007), este estudo objetiva verificar o tratamento da variação linguística em três coleções de livros didáticos de séries finais do Ensino Fundamental. Foi analisada a presença das palavras-chave "variação(ões) linguística(s)", "variedade(s) linguística(s)" e "preconceito linguístico", observando a quem e a qual conteúdo eram direcionadas. Os resultados apontam que o tratamento da variação se concentra em um ano específico, a depender da coleção; as palavras-chave aparecem mais em excertos voltados ao professor; e há maior foco no registro e na variação lexical. Além disso, selecionamos três conteúdos que favoreceriam uma abordagem da variação: oralidade, concordância e colocação pronominal, observando sua apresentação e as atividades propostas. Percebemos que o tratamento dado tende ao tradicional, ficando a variação relegada a observações periféricas; além disso, o direcionamento da discussão fica, em geral, atrelado ao conhecimento do professor. As coleções se mostram incipientes, já que a variação aparece, muitas vezes, desatrelada de tarefas que permitam a elaboração de hipóteses sobre regras variáveis. Há vislumbres do que poderia ser um trabalho bem-sucedido com variação, mas ainda predominam as oportunidades perdidas.
Palavras-chave
Variação linguística, Livros didáticos, Língua Portuguesa
Biografia do Autor
Camila Witt Ulrich
Doutora em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, 2021) e professora adjunta na Universidade Federal do Pampa - câmpus Jaguarão.
Gabriela Tornquist Mazzaferro
Gabriela Tornquist Mazzaferro é doutora em Letras pela Universidade Católica de Pelotas (UCPEL, 2017) e professora na Universidade Federal do Pampa - câmpus Jaguarão.
Leonor Simioni
Leonor Simioni é doutora em Linguística pela Universidade de São Paulo (USP, 2011) e professora na Universidade Federal do Pampa - câmpus Jaguarão.
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