Kierkegaard: relações entre o conceito de ironia negativa e o filme Quanto vale ou é por quilo? (Sérgio Bianchi, 2005)
Publicado 2026-05-21
Palavras-chave
- Ironia,
- Cinema,
- Kierkegaard,
- Sérgio Bianchi
Como Citar
Resumo
Kierkegaard nos apresenta Sócrates enquanto um filósofo negativo. De modo geral, em seus diálogos com os atenienses, Sócrates formulava diversas provocações, refutando os argumentos de seus interlocutores sem, contudo, apresentar qualquer solução positiva ao final do debate. A palavra “negativo”, portanto, não se refere a qualquer juízo de valor quanto à filosofia socrática, sendo um empreendimento negativo no sentido de que é planejado para solapar a posição dos outros. Seguindo a etimologia do termo ironia, temos, a partir dos filósofos da Antiguidade Clássica, a diferenciação entre eironeia e alazoneia (ironia e fanfarronice). A palavra eiron significa “aquele que interroga”, ou seja, alguém que formula ou se coloca questionamentos, razão pela qual Sócrates é assim caracterizado. Tanto o eiron quanto o alazon foram retirados da comédia grega, utilizados na caracterização de personagens dissimulados, mentirosos e pouco dignos de confiança. É a partir daí que o termo ganha sua carga negativa. Essa ironia negativa, que Kierkegaard observa nos românticos e em Sócrates, auxilia o estudo dos filmes de Bianchi. Partindo das leituras filosóficas e linguísticas sobre o conceito de ironia, especialmente das considerações filosóficas de Kierkegaard, o enfoque deste artigo está na análise mais aprofundada de Quanto vale ou é por quilo? (2005) em suas relações com o conceito de ironia. Inicialmente, apresento uma síntese dos debates sobre o conceito de ironia e, em seguida, utilizo a análise fílmica para relacioná-lo ao filme de Sérgio Bianchi.
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Referências
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