Do riso modernista às escritas contemporâneas: humor na poesia brasileira do século XX ao XXI
DOI:
https://doi.org/10.5433/1678-2054.2026vol46n1p186Palavras-chave:
humor, poesia brasileira moderna, poesia concreta, poesia marginal, escritas digitaisResumo
Este artigo investiga o humor como operador formal e histórico na poesia brasileira do século XX ao XXI, argumentando que o riso não atua como ornamento, mas como procedimento de conhecimento e mediação crítica. Em perspectiva diacrônica, acompanha-se um fio que vai do poema modernista às formas contemporâneas de apropriação e ready-made verbal, passando pela poesia concreta, pela poesia marginal, e por autores como Paulo Leminski, José Paulo Paes e Angélica Freitas. Neste ensaio, propõe-se que o humor permite elaborar tensões recorrentes da literatura brasileira, a saber: a construção ambígua da identidade nacional, a relação entre experimentação formal e cultura de massas, a resistência cotidiana em contextos autoritários, a revisão irônica do cânone e as disputas contemporâneas em torno de gênero e autoria. Ao final, as escritas digitais são consideradas um horizonte de desdobramento, não como continuidade linear, mas como um campo em que montagem, repetição, remix e circulação veloz reativam procedimentos já presentes nessa tradição. O artigo propõe, assim, que observar criticamente o uso do humor por poetas de diferentes gerações amplia a compreensão das formas poéticas do país.
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