Impasses de resistência: notas sobre a última poesia de Cacaso
DOI:
https://doi.org/10.5433/1678-2054.2026vol46n1p73Palavras-chave:
poesia marginal, ditadura militar, redemocratização, CacasoResumo
Antônio Carlos de Brito, o Cacaso, é, não sem razão, associado à noção de “resistência” cultural à ditadura. Expoente da chamada poesia marginal, participou, como artista e agitador, dos principais debates da época sobre a reação da poesia ao “sufoco” social. O presente artigo analisa a sua última poesia, com foco em Mar de Mineiro (1982) e em poemas posteriores reunidos em Beijo na Boca e outros poemas (1985), a fim de compreender como essa produção formaliza os impasses políticos e estéticos do período da redemocratização brasileira. Partindo da noção de redução estrutural em Antonio Candido e das mediações entre lírica e sociedade em Adorno, o estudo examina como essa “resistência” ganha forma no corpo dos poemas. Assim, argumenta-se que o humor opera como forma de negatividade em sua poesia: expõe as convenções dos antigos ideais de esquerda; exibe a ausência de perspectivas histórico-políticas; registra o desencantamento com a “abertura” política; e marca a universalização do nexo financeiro.
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