Abstract
Lesões traumáticas à coluna vertebral, medula espinhal e raízes nervosas da cauda equina ocorrem frequentemente na medicina veterinária e humana, levando a sequelas devastadoras, como perda parcial ou completa das funções motoras, sensoriais e viscerais, sendo a ocorrência destas seqüelas uma das principais causas de eutanásia em cães. O objetivo do presente trabalho é relatar a recuperação da função neurológica em dois cães com fratura vertebral e deslocamento do canal medular de mais de 100% tratados cirurgicamente. O primeiro caso ocorreu em um filhote de cão sem raça definida (SRD) encontrado na rua com síndrome toracolombar e presença de postura de Schiff-Scherrington, constatando-se fratura em epífise caudal do corpo vertebral de T13 com luxação grave entre as vértebras T13 e L1, porém o animal apresentava sensibilidade dolorosa profunda em membros pélvicos. O tratamento utilizado neste caso foi descompressão através de hemilaminectomia e estabilização da coluna com pinos nos corpos vertebrais e cimento ósseo, além de fisioterapia e acupuntura. O segundo caso ocorreu em cão SRD atropelado, que apresentou fratura e luxação entre L6, L7 e grande desvio entre os fragmentos, que porém apresentava nocicepção e reflexo perineal preservado. O tratamento realizado foi a estabilização da coluna através da técnica de fixação segmentar dorsal modificada. Ambos os pacientes apresentaram recuperação significativa da função neurológica, permanecendo com discreta paresia de membros posteriores. O deslocamento de 100% do canal vertebral à avaliação radiográfica não significa prognóstico ruim, havendo em alguns casos chance de recuperação das funções motoras, sensoriais e viscerais. No primeiro caso o fator determinante para o bom prognóstico foi a presença de percepção da dor profunda, e no segundo caso, o prognóstico foi determinado pela presença de sensibilidade e tônus no esfíncter anal durante o exame neurológico inicial.

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