Abstract
A terapia celular tem sido reportada como possibilidade de tratamento para os traumas medulares, frequentes em pessoas e em animais, e que não apresentam cura farmacológica para danos advindos da lesão primária. Foram avaliados os efeitos da aplicação de células-tronco derivadas do tecido adiposo humano (hADSC) em ratos Wistar após lesão medular. As hADSC foram cultivadas, utilizadas entre a terceira e quinta passagens e parte delas foi transduzida para o rastreamento in vivo após o transplante. A lesão medular foi realizada com cateter de Fogarty nº. 3, introduzido no espaço epidural, com cuff localizado em T8 e preenchido com 80 ?L de solução salina, por 5 minutos. Os animais do grupo controle (A, n=12) receberam aplicações de meio de cultura (50 ?L) e o grupo B (n=12) recebeu duas aplicações de hADSC (1,2 x 106), sete e 14 dias pós-lesão, ambas na veia da cauda. O esvaziamento vesical, por massagem, foi efetuado diariamente, durante três meses. As avaliações motoras foram repetidas, diariamente, até três meses pós-lesão, utilizando a escala Basso-Beattie-Bresneham. Após este período os animais foram submetidos à eutanásia e foram realizadas análises histológicas de bexiga urinária e medula espinhal. As análises de bioluminescência revelaram hADSC no local da aplicação e nos pulmões. Houve melhora da função da bexiga urinária em 83,3% dos animais do grupo B e 16,66% dos animais do grupo A. A análise das avaliações motoras e histológicas das medulas espinhais e bexigas urinárias não demonstrou diferenças significativas entre os grupos A e B. Os resultados indicam que as hADSC transplantadas influenciaram a micção, de forma benéfica, por um mecanismo de ação à distância, telécrino.

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