v. 19 (2025): Dossiê Filosofia da Imagem
Artigos do dossiê

Reflexões sobre um espelho chamado olho

Marcelo Macaue
Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Biografia
Ericson Falabretti
Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Biografia
Claudia Murta
Universidade Federal do Espírito Santo
Biografia

Publicado 2025-12-12

Palavras-chave

  • Fotografia,
  • Nadificação,
  • Esquize,
  • Lacan,
  • Sartre

Como Citar

Macaue, M., Falabretti, E., & Murta, C. (2025). Reflexões sobre um espelho chamado olho. Domínios Da Imagem, 19, 1–15. https://doi.org/10.5433/2237-9126.2025.v19.52744

Resumo

O artigo propõe uma análise da fotografia a partir da articulação entre a fenomenologia e a psicanálise, sobretudo nas perspectivas de Sartre e Lacan. O texto apresenta uma investigação sobre o estúdio fotográfico como espaço de produção simbólica, em que o corpo fotografado deixa de ser mero objeto e passa a refletir o olhar e o desejo de quem o observa. A fotografia é concebida como um campo de esquize e nadificação: o olhar que fende o sujeito e o transforma em imagem e ausência. A partir dos conceitos de “Objeto a”, “pulsão escópica” e “ser-para-outro”, o texto propõe que a imagem fotográfica não representa o real, mas o atravessa, instaurando uma experiência intersubjetiva e corporal na qual o sujeito é, simultaneamente, agente e espectro. A fotografia, assim, torna-se campo de produção de sentido, desejo e angústia. O texto problematiza: como a fotografia, ao mediar a relação entre quem olha e quem é olhado, opera uma nadificação do sujeito, desvelando, nas perspectivas de Lacan e Sartre, um processo de alienação e desdobramento da subjetividade? Com o objetivo de retomar o debate fenomenológico e psicanalítico sobre o olhar no contexto da fotografia, o texto ressignifica as relações entre sujeito e objeto. Pretende-se, assim, compreender a fotografia como experiência intercorpórea, na qual se joga a ambivalência entre passividade e atividade do corpo fotografado e do corpo que fotografa, revelando camadas de desejo, ausência e pulsão. O ato fotográfico é um acontecimento no qual o sujeito é exposto ao olhar que o constitui.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

  1. ALLOUCHE, Frédéric. Ser livre com Sartre. Rio de Janeiro: Zahar, 2019.
  2. BARTHES, Roland. A câmara clara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
  3. DESCARTES, René. As paixões da alma. Rio de Janeiro: Vozes de Bolso, 2023.
  4. DIDI-HUBERMAN, Georges. Imagens apesar de tudo. São Paulo: Editora 34, 2020.
  5. FREUD, Sigmund. Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos. In: Os instintos e seus destinos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
  6. LACAN, Jacques. Escritos. In: O estádio do espelho. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
  7. LACAN, Jacques. Seminário 10. A angústia. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
  8. LACAN, Jacques. Seminário 11. Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
  9. LE BRETON, David. Sociologia do corpo. Rio de Janeiro: Vozes, 2006.
  10. MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2018.
  11. SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada. São Paulo: Vozes, 2016.
  12. SFORZINI, Arianna. Michel Foucault. Um pensar do corpo. São Paulo: Unesp, 2023.
  13. FONSECA, Eduardo Ribeiro. Além do princípio de prazer: monismo ou dualismo pulsional? Voluntas: Revista Internacional de Filosofia, Santa Maria, v. 11, n. 2, p. 23-40, 2020. DOI: 10.5902/2179378647911.
  14. MURTA, Claudia; JUNIOR, Jacir Silvio Sanson. Implicações do “retorno de Freud” proposto por Jacques Lacan, a partir de uma análise do conceito pulsional. Eleuthéria - Revista do curso de Filosofia, Mato Grosso do Sul, v. 6, n. Especial, out. 2021. Disponível em: https://periodicos.ufms.br/index.php/reveleu/article/view/13115/9651. Acesso em: 7 abr.2025.