Avaliação de periódicos 2021-2024 realizada pela CAPES

15-01-2026

A Comissão Editorial recebeu, com surpresa, a classificação B3 para a revista Terra Roxa e Outras Terras (TROT), na avaliação da CAPES recém-divulgada.

A TROT publicou anualmente dois números, sem atraso algum. No período avaliado, foram publicados oito dossiês, dois por ano, totalizando 78 artigos, com um mínimo de 16 (2022) e um máximo de 23 (2023) como total anual de artigos publicados . Está listada em nove bases de dados de periódicos. É gratuita e de acesso livre desde o seu primeiro número em 2002. O Conselho Editorial é composto por 17 membros, todos com vinculação institucional. Nosso índice de exogenia é elevado; há avaliação em duplo cego e verificação de plágio em todos os artigos. Nenhum autor publicou mais de um texto por ano.

Nosso processo editorial tem as seguintes fases: avaliação inicial (verificação de requisitos de publicação e de plágio), com recusa de 10 a 15%; avaliação por parecerista ad hoc, com recusa de 25 a 35%. Todos os autores recebem os pareceres emitidos, sempre em duplo cego. A edição dos textos aprovados é feita em contato constante com os autores, incluindo a informação sobre alterações editoriais e a leitura de prova de galé pelos autores.

Entendemos que o resultado divulgado pela CAPES se deve a alguma condição ou  métrica a que não conseguimos atender, o que nos coloca no penúltimo grupo dos periódicos (B3) da área de Literatura e Linguística, após ocuparmos o primeiro grupo (A1) na avaliação de 2017-2020. No momento, na ausência de relatório emitido pela CAPES, só nos cabe supor que a razão tenha sido o índice H do Google Acadêmico.

Ao longo da existência da revista, o índice H é 12. No período 2017-2020, o índice H é 3; no período 2021-2024, é 2.

As explicações para essa métrica podem ser várias, indo da quantidade de artigos publicados até a escolha de temas de dossiê de menor interesse (nichos mais estreitos). O índice H reflete o interesse da comunidade em citar os textos. Quanto maior for o número de textos publicados, em tese, maior será a probabilidade de uma revista ser citada. Da mesma forma, quanto maior for a identidade dos dossiês publicados com os interesses de pesquisa contemporâneos (por vezes chamados de prioridades pelas agências de fomento), haverá uma tendência para que um artigo (ou um periódico) seja mais lido e, consequentemente, mais citado.

Essa situação de produtivismo numérico, se tomada como estratégia editorial, acarreta um impacto maior no trabalho de editores e pareceristas. No trabalho voluntário da TROT, haveria, junto aos autores, mais processos de revisão de textos com correções obrigatórias, apontadas pelos pareceristas ad hoc. A política editorial da revista busca acolher prioritariamente textos submetidos com maior qualidade textual e argumentativa, especialmente pelo cuidado em manter a regularidade de publicação e em respeitar os autores com textos aprovados sem ressalvas.

Os dossiês da revista refletem os interesses dos docentes do Programa de Pós-graduação em Letras (PPGL) da Universidade Estadual  de Londrina e dos coeditores convidados. Em outros termos, a revista é um lócus de publicidade e de troca de dados e de apresentação dos resultados de pesquisas realizadas, observando-se um predomínio quase absoluto de exogenia. Isso significa que são raros os artigos publicados por autores do PPGL. A revista serve como ponte e diálogo entre as pesquisas realizadas pelos docentes e pelos grupos de pesquisa do PPGL e de seus parceiros de outras instituições.

Finalmente, parabenizamos as revistas que mantiveram ou alcançaram um grau superior na avaliação. É nosso firme entendimento que o rigor da TROT é sinal de sua qualidade; o impacto de suas publicações, por serem citadas por outros artigos e periódicos, é influenciado por variáveis incontroláveis, apesar desse rigor editorial.

Apesar da circunstância que muito nos preocupa, pois o grau de uma revista desperta ou afasta submissões, continuaremos a trabalhar em prol de uma ciência aberta e gratuita, mantendo a política editorial e nosso compromisso com a comunidade acadêmica.


Alamir Aquino Corrêa, Barbara Cristina Marques e Claudia Camardella Rio Doce
Comissão Editorial