v. 20 (2026): Dossiê Cinema e Filosofia
Artigos do dossiê

Rumo ao cristal: a Estrada Perdida de David Lynch como via para pensar o cinema de Gilles Deleuze

Gabriel Gnann Belloni Vieira
Universidade Estadual de Londrina
Biografia

Publicado 2026-05-21

Palavras-chave

  • Imagem-cristal,
  • Cinema moderno,
  • Gilles Deleuze,
  • Imagemtempo,
  • David Lynch

Como Citar

Vieira, G. G. B. (2026). Rumo ao cristal: a Estrada Perdida de David Lynch como via para pensar o cinema de Gilles Deleuze. Domínios Da Imagem, 20, 1–28. https://doi.org/10.5433/2237-9126.2026.v20.52895

Resumo

Este artigo propõe uma leitura filosófica do filme Estrada Perdida (1997), de David Lynch, à luz da teoria do cinema desenvolvida por Gilles Deleuze, com especial atenção ao conceito de imagem-cristal formulado em A Imagem-Tempo . A análise parte do pressuposto de que o cinema de Lynch, especialmente a partir deste longa, rompe com os modelos narrativos clássicos centrados na imagem-movimento e se insere plenamente no regime da imagem-tempo, caracterizado por situações óticas e sonoras puras, falsos raccords e formas de temporalidade não lineares. O estudo descreve como “Estrada Perdida” figura um campo privilegiado para a manifestação da indiscernibilidade entre atual e virtual, real e imaginário, presente e passado, por meio de estratégias formais como o uso de espelhos, montagens aberrantes e dissoluções da identidade dos personagens. A imagem-cristal, nesse contexto, não apenas desorganiza a lógica narrativa, mas instaura uma nova relação entre espectador, tempo e pensamento. Metodologicamente, trata-se de uma análise teórico-interpretativa, fundamentada na filosofia do cinema de Deleuze e em comentadores especializados, articulada com elementos da estética fílmica. Como resultado, evidencia-se que Lynch realiza um cinema do pensamento em sentido pleno, no qual o tempo deixa de ser o número do movimento e passa a aparecer diretamente, fazendo do falso não um erro, mas uma potência criadora. A partir disso, o artigo propõe que Estrada Perdida não seja compreendido como um puzzle film, mas como uma cristalização audiovisual do tempo puro, que tensiona os limites entre fabulação, memória e percepção.

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Referências

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