v. 19 (2025): Dossiê Filosofia da Imagem
Artigos do dossiê

Iconologia crítica: a imagem na redefinição do método iconológico numa era pós-Panofsky

Rafael Costa Geremias
Universidade do Estado de Santa Catarina
Biografia

Publicado 2025-12-12

Palavras-chave

  • Historiografia da Arte,
  • Pictorial turn,
  • Iconologia Crítica,
  • Antropologia da imagem

Como Citar

Geremias, R. C. (2025). Iconologia crítica: a imagem na redefinição do método iconológico numa era pós-Panofsky. Domínios Da Imagem, 19, 1–27. https://doi.org/10.5433/2237-9126.2025.v19.52852

Resumo

O acúmulo de críticas desde as décadas de 1960/70 ao estatuto da arte e ao uso das imagens no fazer historiográfico, empurrou os pesquisadores nas ciências humanas, sobretudo na história da arte, a constituírem um corpus transdisciplinar que respondesse à contemporaneidade dos modos de produção, relação e elucubração filosófica acerca do objeto. Decorre disso, o anúncio do fim da história da arte por Hans Belting e a definição de um quadro epistêmico, como apresenta Santiago Jr. (2019a, 2019b), formado por W. J. T. Mitchell e Gottfried Boehm com suas pictorial/iconic turns; e por Georges Didi-Huberman e sua antropologia visual. Comum a eles, o afastamento dos métodos tradicionais da história da arte, propondo caminhos heurísticos que insubordinam a imagem do texto, alavancando-a enquanto documento sui generis. Soma-se ao quadro Aby Warburg como aquele que em seu tempo oportunizou saídas historiográficas, e que, reavivado hoje numa era pós-Panofsky, tem sua obra como saída para os problemas historiográficos atuais. Dado o contexto, investiga-se a proposição da iconologia crítica de Mitchell, sobreposta pela antropologia da imagem de Belting em 2006, com a concepção de determinantes não icônicos enquanto modelo que tenta abarcar a demanda por uma historiografia da imagem na atualidade.

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Referências

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