Publicado 2026-05-21
Palavras-chave
- Cinema e Ontologia,
- Tédio,
- Temporalidade,
- Martin Heidegger,
- Béla Tarr
Como Citar
Resumo
O presente artigo busca desenvolver questionamentos ontológicos acerca do tédio, entendido como tonalidade afetiva fundamental (Grundstimmung) de nossa época, e de sua intrínseca relação com a temporalidade (Zeitlichkeit) da existência. Esse estudo será realizado por meio de um diálogo entre o pensamento de Martin Heidegger, sobretudo, no escopo da preleção do semestre de inverno dos anos 1929-30 intitulada Os conceitos fundamentais da metafísica: Mundo – Finitude – Solidão, e o filme O Cavalo de Turim (2011), de Béla Tarr. Defenderemos a tese de que ambas as obras pensam os mesmos fenômenos em linguagens distintas possibilitando, assim, quando postas em relação, a ampliação do alcance de nossa investigação filosófica a partir de um envolvimento afetivo e intelectivo com o tema. Resta-nos informar que para colocar em movimento a nossa hermenêutica fílmica e realizar o propósito acima distinguido, subdividiremos o trabalho em três momentos: 1) Considerações preliminares sobre o mundo (Welt) fílmico de O Cavalo de Turim; 2) A caminho do tédio profundo: do mais superficial ao abissal; e 3) O tédio profundo em O Cavalo de Turim: do fracasso dos personagens ao desafio proposto ao espectador absorvido no mundo cinematográfico. Almejamos, ao fim do trajeto, termos galgado tanto uma satisfatória compreensão ontológica sobre o tédio quanto a atestação das potencialidades filosóficas do cinema evidenciadas pelo caso exemplar de O Cavalo de Turim.
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