A inserção do tema dos desastres na Política Nacional de Assistência Social: dinâmicas de mudança e robustez
DOI:
https://doi.org/10.5433/1679-4842.2026.v29.54463Palavras-chave:
Assistência social, Desastres, Políticas públicas, Desenho de políticas, Mudança de políticasResumo
Este artigo tem por objetivo mapear a evolução da inserção do tema dos desastres no desenho da Política Nacional de Assistência Social (PNAS), principal política de proteção socioassistencial do Brasil. À luz da literatura do policy design, parte-se do reconhecimento de que o desenho das políticas é dinâmico e sujeito a transformações ao longo do tempo, impulsionadas pela própria natureza mutável dos problemas sociais. A forma como essas mudanças são incorporadas pode fortalecer a efetividade das políticas ou, ao contrário, comprometer seu desempenho. Para analisar a PNAS, realizou-se uma busca pelos documentos que conformam seu desenho, publicados entre 2004 e 2024, que mencionassem os termos “calamidade” ou “desastre”. Foram selecionados 79 documentos. A partir da análise documental, identificou-se mudanças no desenho predominantemente lineares e orientadas por correções graduais, mas que assumiram diferentes naturezas ao longo do tempo: inicialmente evolutivas e adaptativas, centradas nos instrumentos; e, mais recentemente, disruptivas e cumulativas, com alteração da formulação do problema e substituição de paradigmas. Os achados revelam que a PNAS apresenta uma arquitetura robusta e capaz de adaptação, mas enfrenta desafios estruturais de congruência entre problema, objetivos e instrumentos, o que pode comprometer sua efetividade, especialmente diante de eventos críticos como os desastres.
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