A experiência dos sujeitos cria espacialidades únicas, o que não é diferente na religião. No caso da Umbanda, essa vivência é responsável pela construção do espaço sagrado. Tomando como ponto de partida as especificidades dessa religião, a pesquisa teórica que originou este trabalho centrou-se na contribuição de diferentes compreensões de arquétipos como chave de estudo do êxtase religioso na Umbanda, dentro do campo da Geografia. Para alcançar esse objetivo, foi desenvolvido um referencial teórico que abrange as relações entre geografia e religião; as particularidades da experiência religiosa na Umbanda; a análise das correlações entre as concepções de arquétipos conforme apresentadas nas obras de Eliade e Jung; e a expressão do êxtase religioso na Umbanda. Nesse sentido, compreendeu-se que os rituais umbandistas revelam manifestações arquetípicas herdadas do processo de resistência cultural que constituiu a religião e expressam anseios primordiais da existência humana. Essas espacialidades simbólicas têm um impacto profundo na cultura e na identidade dos sujeitos que as vivenciam, o que transcende a dimensão do espaço físico.