Publicado 2026-05-21
Palavras-chave
- Subjetivação,
- Neoliberalismo,
- Cinema,
- #eagoraoque
Como Citar
Resumo
Este artigo é um desdobramento de uma tese sobre cinema contemporâneo brasileiro e subjetivação neoliberal. Por meio de diferentes perspectivas teóricas, propomos analisar o filme #eagoraoque (dir. Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald, 2020) com o objetivo de ampliar a compreensão sobre o capitalismo neoliberal que molda as subjetividades contemporâneas. O cinema sempre representou a exploração capitalista, porém hoje o debate é complexificado por todas as mudanças estruturais engendradas pelo neoliberalismo, entre as quais se destaca a figura do “empreendedor de si mesmo” – sujeito que internaliza as lógicas de competição e autogestão (Dardot; Laval, 2016). Considerando também especificidades do contexto brasileiro atual, analisaremos a construção da estética e da narrativa tendo em vista o potencial crítico da arte, conforme elaborado pelo filósofo Jacques Rancière (2005; 2012). A multiplicidade de imagens e de discursos abre as possibilidades de leitura para uma compreensão mais ampliada dos efeitos do neoliberalismo.
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Referências
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