Dados pessoais e interesse público na manutenção dos programas de saúde

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5433/1980-511X.2025.v20.n3.50592

Palavras-chave:

saúde, gastos sociais, dados pessoais, localismo, impessoalidade

Resumo

Os direitos sociais fomentam outros direitos fundamentais e a dignidade humana. Entretanto, o teto de gastos e o aperto fiscal desafiam a viabilidade dos programas sociais, quadro agravado pelo envelhecimento da população perante os valores impeditivos dos planos de saúde e seu potencial efeito migratório para o Sistema Único de Saúde (SUS). A consequente judicialização revela a reserva do possível, apenas rechaçada quando o mínimo existencial do requerente é atingido. Impactos assim demandam gerenciamento e customização, sendo os dados pessoais uma ferramenta que adequa a necessidade à oferta, a despeito dos riscos de disseminação inapropriada de informações. Os dados pessoais, direitos fundamentais autônomos, devem se submeter a medidas de segurança, boas práticas, governança e políticas de compliance resguardados pela fiscalização de Agências Reguladoras. O tratamento de dados de saúde deve respeitar a impessoalidade, a finalidade e as necessidades das comunidades, sem práticas protetivas ou discriminatórias, vedado o reajuste dos planos para idosos com mais de sessenta anos. Conclui-se que a compilação de grande número de dados pode otimizar compras, contratações, combater fraudes e evitar condutas discriminatórias, permitindo o controle pela população e pelos órgãos responsáveis.

 

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Biografia do Autor

Fabio Rui Scalzo do Nascimento, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Mestre em Agronegócios pela Universidade de Brasília. Especialista em tecnologia de carne e derivados, Direito de Empresa, Direito Público e Direito do Agronegócio. Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais.  Servidor público.

José Alfredo Baracho, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Mestre e Doutor em Direito Constitucional. Master of Law pela Harvard Law School. Professor do Programa de Pós-graduação em Direito da PUCMinas. Advogado.

 

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Publicado

2026-01-31

Como Citar

do Nascimento, F. R. S., & de Oliveira Baracho Júnior, J. A. (2026). Dados pessoais e interesse público na manutenção dos programas de saúde. Revista Do Direito Público, 20(3), 95–111. https://doi.org/10.5433/1980-511X.2025.v20.n3.50592