Não é a fome, é a barragem: o povo Akwẽ-Xerente do Tocantins e os desafios da segurança alimentar diante do modelo de desenvolvimento
DOI:
https://doi.org/10.5433/1679-4842.2026.v29.51896Palavras-chave:
Insegurança Alimentar, Povos indígenas, Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, DesenvolvimentoResumo
Este artigo apresenta reflexões sobre a fome nos mundos indígenas, com análise sobre a avaliação da insegurança alimentar, principalmente por meio dos parâmetros desenhados pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA). O empobrecimento dos hábitos alimentares dos povos indígenas, com a diminuição do consumo de alimentos tradicionais e aumento de alimentos industrializados com menor valor nutricional, tem tido como consequência o aumento de doenças crônicas. No caso dos Akwẽ-Xerente, essas mudanças têm relação com o avanço do modelo de desenvolvimento agroindustrial do Tocantins sobre as Terras Indígenas, impossibilitando a continuidade de práticas tradicionais em várias dimensões da vida Xerente. Desse modo, mensurar a insegurança alimentar, em contextos socioculturais diversos, requer um processo amplo, interdisciplinar e participativo, que compreenda toda essa problemática que envolve o acesso à alimentação desse povo. Neste artigo, apresentamos uma proposta de avaliação da insegurança alimentar que aproxima com a realidade Xerente, dialogando com seu sistema alimentar.
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