Dispositivos de poder e produção da loucura: do internamento ao comprimido
DOI:
https://doi.org/10.5433/1679-0383.2026.v47.56026Palavras-chave:
Internamento, Medicalização, Psicofarmacologia, DispositivoResumo
O presente texto analisa os modos de operação dos dispositivos de internamento e dispositivo farmacológico na produção da loucura e na produção de transtornos mentais como objetos de saber-poder. O estudo caracteriza-se como um ensaio teórico, de abordagem qualitativa, desenvolvido por meio de revisão bibliográfica narrativa de caráter crítico-interpretativo. Através da revisão bibliográfica narrativa, analisa-se como o poder psiquiátrico, paralelo ao dispositivo do internamento exerce controle sobre o corpo dos internados e se reconfigura no século XX com o surgimento da psicofarmacologia e dos manuais diagnósticos. O estudo organiza-se em torno de três eixos: em primeiro lugar, a constituição histórica do dispositivo do internamento e da produção da loucura como objeto de saber; em segundo lugar, a consolidação da psiquiatria moderna e das classificações diagnósticas como mecanismos de normalização; e por fim, na emergência da psicofarmacologia e do denominado "dispositivo comprimido" como tecnologia contemporânea de gestão do sofrimento psíquico. Além da função de normalização e de controle social que ambos dispositivos realizam, o dispositivo farmacológico atende a necessidade da atual sociedade que exige pessoas produtivas e adaptadas a diferentes situações.
Downloads
Referências
AMARANTE, Paulo; TORRE, Eduardo Henrique Guimarães. “De volta à cidade, sr. cidadão!” reforma psiquiátrica e participação social: do isolamento institucional ao movimento antimanicomial. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 52, n. 6, p. 1090-1107, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rap/a/VxnVVXZN4bD3bqCTVJwzxBQ/abstract/?lang=pt. Acesso em: 3 ago. 2026.
CANGUILHEM, Georges. O normal e o patológico. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000.
COLUCCI, M. Que psiquiatria depois de Foucault? In: ARTIERES, P.; BERT, J. F.; GROS, F. (org). Foucault. Rio de Janeiro: Forense, 2014.
COSER, Orlando. As metáforas farmacoquímicas com que vivemos: ensaios de metapsicofarmacologia. Rio de Janeiro: Garamond, 2010.
COSER, Orlando. Depressão: clínica, crítica e ética. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003.
DALL’ARA, J. Busca por medicamentos para a saúde mental cresce a cada ano no Brasil. Jornal da USP, São Paulo, 13 jan. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/busca-por-medicamentos-para-a-saude-mental-cresce-a-cada-ano-no-brasil/. Acesso em 15 de out. de 2026.
DINIZ, Juliana Belo. O que os psiquiatras não te contam. São Paulo: Fósforo, 2025.
DUNKER, Christian. Uma biografia da depressão. São Paulo: Planeta, 2021.
FOUCAULT, Michel. História da loucura: na idade clássica: São Paulo: Perspectiva, 2009.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.
FOUCAULT, Michel. O poder psiquiátrico: curso dado no Collége de France (1973-1974). São Paulo: Martins Fontes, 2006.
FOUCAULT, Michel. Os anormais: curso no Collége de France (1974-1975). São Paulo: Martins Fontes, 2001.
FUCHS, Thomas. O cérebro: um órgão relacional: uma concepção fenomenológica-ecológica. 6. ed. Rio de Janeiro: Via Verita, 2025.
GORI, Roland. O sujeito da saúde mental: da atualidade de Foucault. In: ARTIERES, P.; BERT, J. F.; GROS, F. (org.). Foucault. Rio de Janeiro: Forense, 2014
IBGE. Pesquisa nacional de saúde: 2019: percepção do estado de saúde, estilos de vida, doenças crônicas e saúde bucal. Rio de Janeiro: IBGE, 2020.
LAGRANGE, Jacques. Situação do curso. In: FOUCAULT, Michel. O poder psiquiátrico: curso dado no Collége de France (1973-1974). São Paulo: Martins Fontes, 2006.
MAYES, Rick; HORWITZ, Allan V. DSM-III and the revolution in the classification of mental illness. Journal of the History of the Behavioral Sciences, New York, v. 41, n. 3, p. 249–267, 2005. Disponível em: https://scispace.com/pdf/dsm-iii-and-the-revolution-in-the-classification-of-mental-4fguz5onj2.pdf. Acesso em: 29 jun. 2026.
PAULIN, Luiz Fernando; TURATO, Egberto Ribeiro. Antecedentes da reforma psiquiátrica no Brasil: as contradições dos anos 1970. Revista História, Ciências, Saúde, Rio de Janeiro, v. 11, n. 2, 2004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/hcsm/a/D9pDGYcrYXDJ7ySYkLyRkpt/abstract/?lang=pt. Acesso em: 3 ago. 2026.
POLI, Maria Cristina. "Alienação" na psicanálise: a pré-história de um conceito. Revista Psychê, São Paulo, v. 9, n. 16, p. 133-152, 2005. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/307/30716909.pdf. Acesso em: 26 jul. 2026.
ROSE, Nikolas. Inventando nossos selfs: psicologia, poder e subjetividade. Rio de Janeiro: Vozes, 2011.
ROSE, Nikolas. Our psychiatric future: the politics of mental health. Cambridge UK: Polity Press, 2019.
SAFATLE, Vladimir. O que é uma normatividade vital? Saúde e doença a partir de Georges Canguilhem. Revista Scientiæ Studia, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 11-27, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ss/a/VfqSSxvQ7WBQyrKKbJwjpWx/?format=html&lang=pt. Acesso em: 11 jun. 2026.
TENÓRIO, Fernando. A reforma psiquiátrica brasileira, da década de 1980 aos dias atuais: história e conceitos. Publicado na revista História, Ciências, Saúde. Manguinhos, volume 9, nº 1 (p.25-59). 2002. Disponível em: https://www.scielo.br/j/hcsm/a/xN8J7DSt9tf7KMMP9Mj7XCQ/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR. Acesso em 15 de out. de 2026.
UNTOIGLICH, Gisela. Medicalización y patologización de la vida: situación de las infancias en Latinoamérica. Revista Nuances, São Paulo, v. 25, n. 1, p. 20-38, 2014. Disponível em: https://revista.fct.unesp.br/index.php/Nuances/article/view/2743/2515. Acesso em: 26 jul. 2026.
WHITAKER, Robert. Anatomia de uma epidemia: pílulas mágicas, drogas psiquiátricas e o aumento assombroso da doença mental. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2017.
WHO - WORLD HEALTH ORGANIZATION. Constitution of the World Health Organization. New York: WHO, 1946. Disponível em: https://apps.who.int/gb/bd/PDF/bd47/EN/constitution-en.pdf?ua=1. Acesso em: 3 ago. 2026.
WHO - WORLD HEALTH ORGANIZATION. Depression and Other Common Mental Disorders: Global Health Estimates. Genebra: WHO, 2017. Disponível em: https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/6bab42bc-df0f-4f68-a86d-28ebedb85e42/content. Acesso em 15 de out. de 2026.
WHO - WORLD HEALTH ORGANIZATION. Depressive disorder (depression). Geneva: WHO, 2026. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/depression. Acesso em: 14 jul. 2026.
WILSON, Mitchell. DSM-III and the transformation of American Psychiatry: a history. American Journal of Psychatry, Washington, v. 150, n. 3, p. 399-410, 1993. Disponível em: https://www.academia.edu/.../of_American_Psychiatry_A_History. Acesso em: 1jul. 2026.
WOOLEY, D. W.; SHAW, E. A biochemical and Pharmacological suggestion about certain mental disorders. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, Washington, v. 40, n. 4, p. 228-231, Apr. 1954. DOI: 10.1073/pnas.40.4.228.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Renan Costa Valle Scarano

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Semina: Ciências Sociais e Humanas adota para suas publicações a licença CC-BY-NC, sendo os direitos autorais do autor, em casos de republicação recomendamos aos autores a indicação de primeira publicação nesta revista. Esta licença permite copiar e redistribuir o material em qualquer meio ou formato, remixar, transformar e desenvolver o material, desde que não seja para fins comerciais. E deve-se atribuir o devido crédito ao criador.
As opiniões emitidas pelos autores dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade.
A revista se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua e a credibilidade do veículo. Respeitará, no entanto, o estilo de escrever dos autores. Alterações, correções ou sugestões de ordem conceitual serão encaminhadas aos autores, quando necessário.















