HIV na era dos algoritmos: vigilância, estigma e subjetividade nos aplicativos móveis
DOI:
https://doi.org/10.5433/1679-0383.2026.v47.54180Palavras-chave:
HIV, AIDS, Psicologia, Aplicativos, SaúdeResumo
Esta pesquisa analisa o impacto de aplicativos móveis na vida de pessoas que vivem com HIV (PVH), investigando como essas ferramentas digitais influenciam o gerenciamento da saúde, o acesso à informação e a produção de subjetividades. Adotando uma metodologia multinível, inspirada na Teoria Ator-Rede e nos App Studies, o estudo analisou quatro aplicativos (Grindr, Pozlife Community, Viva Bem e Liverpool HIV iChart) através de: 1) análise de interface e usabilidade; 2) exame cruzado de Termos de Uso e Políticas de Privacidade; 3) identificação de trackers nos pacotes de instalação; e 4) revisão de narrativas de usuários em fóruns online. Os resultados revelam um paradoxo fundamental: as promessas de autonomia e cuidado são sistematicamente minadas por infraestruturas técnicas e lógicas econômicas que reproduzem estigmas. Identificou-se vigilância comercial predatória no Grindr, segregação estigmatizante no Pozlife, negligência estatal no Viva Bem e opacidade institucional no Liverpool HIV iChart. Conclui-se que esses aplicativos, longe de serem ferramentas neutras, atuam como agentes de subjetivação que frequentemente reforçam os mesmos sistemas de controle e exclusão que se propuseram a transpor.
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