Atividade antimicrobiana e antibiofilme de antidepressivos frente à Staphylococcus aureus

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5433/1679-0367.2025v46n2p120

Palavras-chave:

Resistência Microbiana, Reposicionamento de Medicamentos, Bactérias Gram-positivas, Citotoxicidade, Biofilmes Bacterianos

Resumo

A resistência antimicrobiana representa um importante desafio em saúde, especialmente devido à capacidade de Staphylococcus aureus formar biofilmes e persistir sob pressão antimicrobiana. Nesse contexto, o reposicionamento de fármacos surge como uma estratégia promissora para a identificação de alternativas terapêuticas a partir de medicamentos já aprovados. O objetivo deste estudo foi avaliar a atividade antimicrobiana, antibiofilme e a citotoxicidade dos antidepressivos: fluoxetina, paroxetina e duloxetina frente a cepas planctônicas e formadoras de biofilme de Staphylococcus aureus. A atividade antibacteriana foi determinada por microdiluição em caldo para a obtenção da concentração inibitória mínima e da concentração bactericida mínima frente às cepas Staphylococcus aureus ATCC33591 e ATCC 29213. A atividade antibiofilme foi avaliada em biofilmes maduros por ensaio de viabilidade celular e quantificação de biomassa. A citotoxicidade foi avaliada em macrófagos RAW 264.7 por ensaio de viabilidade celular, com cálculo dos valores de concentração efetiva média. A fluoxetina e a duloxetina apresentaram menores concentrações inibitórias e bactericidas em comparação à paroxetina. Nos ensaios em biofilme, fluoxetina e duloxetina promoveram redução significativa da viabilidade celular e da biomassa do biofilme, enquanto a paroxetina apresentou efeito menos consistente. Os ensaios de citotoxicidade demonstraram valores de EC₅₀ semelhantes entre os fármacos, e as concentrações associadas à atividade antibacteriana e antibiofilme foram aproximadamente 20 vezes superiores aos valores de EC₅₀ obtidos em macrófagos, indicando que, neste modelo in vitro, tais efeitos ocorrem em uma faixa de concentração acompanhada de citotoxicidade mensurável. Os resultados indicam que antidepressivos, especialmente fluoxetina e duloxetina, apresentam atividade antimicrobiana e antibiofilme in vitro frente a Staphylococcus aureus, reforçando o potencial desses compostos para estudos futuros de reposicionamento farmacológico.

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Biografia do Autor

Giulianna Oliveira Lodetti, Universidade Guarulhos

Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Guarulhos – UNG, Guarulhos, São Paulo, Brasil.

Luís Henrique Nunes de Souza, Universidade de Guarulhos

Mestre em Enfermagem pela Universidade de Guarulhos (UNG), Guarulhos, São Paulo, Brasil.

Liliana Scorzoni, Universidade Guarulhos

Ph.D. Doutor em Biociências e Biotecnologia Aplicada à Farmácia pela Universidade Estadual Paulista – UNESP, Botucatu, São Paulo, Brasil. Professora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Guarulhos – UNG, Guarulhos, São Paulo, Brasil.

Luiz Eduardo Nunes Ferreira, Universidade Guarulhos

Ph.D. Doutor em Odontologia (Farmacologia) pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Piracicaba, Brasil. Professora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (Stricto Sensu) da Universidade Guarulhos – UNG, Guarulhos, São Paulo, Brasil.

Priscila Luiza Mello, Universidade Guarulhos

Ph.D. Doutor em Biologia Geral e Aplicada Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP, Botucatu, São Paulo, Brasil. Docente da Universidade Guarulhos – UNG, Guarulhos, São Paulo, Brasil.

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Publicado

2025-12-29

Como Citar

1.
Lodetti GO, Souza LHN de, Scorzoni L, Ferreira LEN, Mello PL. Atividade antimicrobiana e antibiofilme de antidepressivos frente à Staphylococcus aureus. Semin. Cienc. Biol. Saude [Internet]. 29º de dezembro de 2025 [citado 10º de abril de 2026];46(2):120-32. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/54610

Edição

Seção

Artigos