Casuística das intoxicações por inibidores das colinesterases pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Paraná (CIATox/PR) entre 2015 e 2019

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5433/1679-0367.2022v43n2p209

Palavras-chave:

Carbamato, Organofosforado, Agrotóxico, Pesticida, Intoxicação

Resumo

Esta pesquisa buscou analisar os casos de intoxicações por organofosforados e carbamatos, presentes em agrotóxicos e pesticidas, registrados na base de dados do Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Paraná (CIATox/PR). Trata-se de estudo retrospectivo em que foram avaliadas variáveis sociodemográficas e clínicas relacionadas à intoxicação, à forma de exposição, à causa e ao desfecho. Para a análise estatística foram utilizados testes de Kolmogorov-Smirnov, Shapiro-Wilk, Qui-Quadrado e Teste Exato de Fisher, considerando p<0,05. A amostra foi composta por 426 casos, sendo 218 (51,2%) mulheres. O principal agente foi raticida clandestino em 278 (65,2%) pacientes. A principal circunstância das intoxicações foi tentativa de suicídio com 293 (68,8%) casos. Houve predominância de exposição via oral (89,9%) e zona urbana em 349 (81,9%) casos, a maioria considerados leves (52,6%) e assistidos em serviços médicos (66,4%). Cerca de 327 (76,8%) indivíduos apresentavam manifestações clínicas. O tempo decorrido entre a exposição e o contato com o CIATox/PR foi maior nos casos considerados graves (p= 0,041). A atropina foi utilizada em 94 (49%) pacientes intoxicados por carbamatos, em 31 (33,3%) por organofosforados e em 84 (59,6%) por outros inibidores da colinesterase não especificados. Duas mulheres e um adolescente apresentaram desfecho fatal, tendo em comum a ingesta intencional de “chumbinho”. A casuística predominante nesta série histórica foi paciente do sexo feminino, faixa etária adulta, residente na região metropolitana, exposta a agrotóxico por via oral, sintomática, classificada como gravidade leve, sem necessidade de atropina, contudo ocorreram três casos com desfecho para o óbito.

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Biografia do Autor

Kátia Sheylla Malta Purim, Universidade Positivo

Doutorado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, Paraná, Brasil. Professora Titular da Disciplina de Dermatologia do Curso de Medicina da Universidade Positivo, Curitiba, Paraná

Daniel Emilio Dalledone Siqueira, Centro de Informações e Assistência Toxicológica do Paraná (CIATox Paraná)

Doutorado em Ciências pelo Programa de Ciências da Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas, São Paulo.

Diego Picussa de Campos Mello, Universidade Positivo

Graduando em Medicina na Universidade Positivo, Curitiba, Paraná.

Bruno Antunes da Silva, Universidade Positivo

Graduando em Medicina na Universidade Positivo, Curitiba, Paraná

Letycia Amando de Carvalho, Universidade Positivo

Graduanda em Medicina na Universidade Positivo, Curitiba, Paraná

Maria Fernanda Savi, Universidade Positivo

Graduanda em Medicina na Universidade Positivo, Curitiba, Paraná

Maria Júlia Franco Piasera, Universidade Positivo

Graduanda em Medicina na Universidade Positivo, Curitiba, Paraná

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Publicado

2022-11-11

Como Citar

1.
Purim KSM, Siqueira DED, Mello DP de C, Antunes da Silva B, Carvalho LA de, Savi MF, Piasera MJF. Casuística das intoxicações por inibidores das colinesterases pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Paraná (CIATox/PR) entre 2015 e 2019. Semin. Cienc. Biol. Saude [Internet]. 11º de novembro de 2022 [citado 29º de maio de 2024];43(2):209-22. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/45063

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Artigos