Soroprevalência do vírus da imunodeficiência felina e frequência de antigenemia do vírus da leucemia felina em gatos domésticos de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.5433/1679-0359.2026v47n1p35Palavras-chave:
Felinos, Retrovírus Felino, Imunodeficiência Felina, Leucemia Felina, Linfoma, Leucemia.Resumo
O vírus da imunodeficiência felina (FIV) e o vírus da leucemia felina (FeLV) são retrovírus que acometem gatos domésticos (Felis catus) em todo o mundo, estando associados a doenças como linfoma, leucemia e imunossupressão, o que pode comprometer tanto a qualidade de vida quanto a expectativa de vida desses animais. Foram analisadas 463 amostras de soro de gatos domésticos, coletadas entre 2022 e 2024 em hospitais veterinários e clínicas na cidade de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil. As amostras foram submetidas ao teste imunocromatográfico de fluxo lateral para a detecção de anticorpos contra FIV e antígenos de FeLV (p27). A soroprevalência e a frequência da antigenemia das infecções por FIV e FeLV na população avaliada foram de 6,91% (32/463) e 21,38% (99/463), respectivamente. Para FIV, a única associação estatisticamente significativa observada foi com o sexo, sendo os machos 2,83 vezes mais propensos a estarem infectados do que as fêmeas; além disso, a coinfecção por FIV e FeLV foi predominantemente observada em machos, que representaram 78,95% (13/17) dos animais coinfectados, sugerindo maior suscetibilidade dos machos às infecções múltiplas. Gatos sem raça definida apresentaram maiores taxas de infecção, destacando a influência de fatores ambientais e de manejo. FIV prevaleceu em gatos mais velhos, enquanto o FeLV predominou em gatos jovens e adultos. A ocorrência de infecção por FIV foi inferior à relatada em estudos anteriores realizados em outras regiões do Brasil, ao passo que a prevalência de FeLV foi compatível com achados da literatura científica, reforçando a elevada taxa de infecção por FeLV entre gatos domésticos no país. A identificação acurada dos animais infectados possibilita a avaliação epidemiológica, subsidiando o desenvolvimento de estratégias de controle e prevenção da disseminação viral.
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