Abstract
As particularidades edafoclimáticas do Sudoeste paranaense diferem das tradicionais regiões de cultivo da videira e exercem grande influência nas características organolépticas das bagas. Estudos sobre a evolução da maturação de uvas nessas condições podem viabilizar o fornecimento de matéria-prima para a elaboração de vinhos diferenciados. Objetivou-se quantificar os componentes da maturação de uvas das cultivares Cabernet Sauvignon, Merlot, Tempranillo e Sangiovese cultivadas no município de Dois Vizinhos - PR, nas safras de 2008/2009 e 2011/2012. As videiras foram conduzidas em espaldeira e enxertadas sobre o porta-enxerto R110 ('Cabernet Sauvignon' e 'Merlot') e Paulsen 1103 ('Tempranillo' e 'Sangiovese'). A evolução da maturação das uvas foi acompanhada a cada dez dias a partir do início da maturação (verasion) até a colheita. As seguintes variáveis foram avaliadas: massa e diâmetro médio das bagas, teor de sólidos solúveis totais (SST), pH, acidez total titulável (ATT), açúcares totais, álcool provável, antocianinas e flavonóis. Bagas da cv. Sangiovese apresentaram maior massa e diâmetro médio nos anos avaliados. Os teores de SST foram maiores no segundo ano de avaliação para as cvs. Cabernet Sauvignon e Tempranillo. O pH sofreu redução do primeiro ano para o segundo de avaliação, para todas as cultivares. Não houve diferenças significativas na ATT entre as cvs. A maior concentração de flavonóis foi obtida no primeiro ciclo de estudo. A cv. Tempranillo apresentou concentração mais elevada de antocianinas nos dois anos avaliados. Todas as cultivares não apresentam acidez total suficiente para permitir ao vinho estabilidade e tempo de guarda. Todas as cvs. dispensam a chaptalização do mosto tendo boa produção de álcool provável.

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