Resumo
Este artigo tem como objetivo investigar as repercussões salariais da orientação sexual homoafetiva e minorias múltiplas de gênero e cor no Brasil. Para isso, foram utilizados os microdados do Censo Demográfico de 2010 e efetuadas as decomposições de Oaxaca (1973) e Blinder (1973) e as decomposições quantílicas de Koenker e Basset (1978). Os resultados mostram que, em geral, os trabalhadores autodeclarados homossexuais são mais jovens, escolarizados, formalizados e urbanos, trabalham no comércio e serviços e em ocupações qualificadas, e de mais altos salários, comparados aos heterossexuais. As desigualdades salariais por orientação sexual são explicadas, em sua maior parte, pelas características produtivas dos trabalhadores, mais favoráveis aos gays brancos, e pela discriminação positiva para homossexuais, melhor para lésbicas brancas. A cor não branca incrementa o benefício decorrente da homossexualidade para homens e reduz para mulheres. Maiores são os ganhos pela discriminação salarial positiva para o homossexual nas faixas salariais mais elevadas, no entanto, ao interseccionar as minorias, sexo feminino, cor de pele não branca e homossexualidade, na comparação com o homem branco heterossexual, confirma-se a discriminação salarial negativa para as lésbicas não brancas, que se agrava nos maiores quantis da distribuição salarial no Brasil.
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