Dissonância cultural? o trabalho em Brasília

Autores

  • Marcia de Melo Martins Kuyumjian Universidade de Brasília - UnB

DOI:

https://doi.org/10.5433/1984-3356.2011v4n7p341

Palavras-chave:

Trabalho informal, Brasília, Dissonância cultural, Identidade, Pesquisa

Resumo

Utilizamos a imagem da orquestra para considerar o sentido de dissonância e suas variações na complexidade do entendimento da Brasília informal, ao investigarmos o trabalho e suas manifestações a partir do viés cultural. Consideramos que no cotidiano do trabalho, percepção e sensibilidade se alinham para redimensionar a dissonância como um arranjo da diversidade do fazer e pensar em sociedade. É essa dissonância que permite mesclar diferentes tipos de trabalho que, embora estratificados e numa escala de valores bem demarcada pelos setores hegemônicos, nos oferece a dinâmica social, incrustada na história e nas formas como a socialidade imprime sua marca no que é popular. Dionisíaca é a vida experimentada no universo do trabalho informal, também um desconcerto, um arranjo sonoro que vibra em outra escala. É o lugar da ipseidade, da narrativa que toma outro lugar de fala e dá margem a estratégias de interação, de liberdade e de ação dos atores jogadores. É a identidade de si. Assim, o termo informalidade traz em si um desconforto, mas também revela que os espaços da cidade de Brasília são lugares praticados, onde experiências e solidariedade são reativadas diuturnamente. Para tanto, escolhemos enfatizar as falas e as imagens que emergem dos trabalhadores informais que ocupam diferentes espaços da cidade. Resultado de pesquisa com o apoio do CNPq, iniciada em 2007, na qual foram entrevistados mais de 40 trabalhadores e organizado um arquivo com quase 2 mil fotos.

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Biografia do Autor

Marcia de Melo Martins Kuyumjian, Universidade de Brasília - UnB

Doutora em Sociologia pela Universidade de Brasília. Professor titular da Universidade de Brasília.

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Publicado

11-10-2011

Como Citar

KUYUMJIAN, M. de M. M. Dissonância cultural? o trabalho em Brasília. Antíteses, [S. l.], v. 4, n. 7, p. 341–361, 2011. DOI: 10.5433/1984-3356.2011v4n7p341. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/antiteses/article/view/5212. Acesso em: 22 abr. 2024.