A propriedade privada e as terras de uso comum na Amazônia: os castanhais de serventia pública e luta pelo direito de existir
DOI:
https://doi.org/10.5433/1984-3356.2025v18n35p137-161Palavras-chave:
Terras de uso comum, Amazônia Oriental, Propriedade, Resistência e arrendamentosResumo
Este artigo tem por objetivo analisar as terras de uso comum da Amazônia, em especial os castanhais do povo, ou de uso coletivo, localizados no Pará; nosso período de análises inicia em 1930 e estende-se a 1980. O propósito deste trabalho também busca entender as vivências dos sujeitos sociais dentro desses territórios, cuja existências e resistências se contrapõem ao conceito de propriedade. A luta pelo direito de viver nesses lugares dentro da Amazônia brasileira é uma maneira de resistir ao modelo da propriedade privada. Além das fontes bibliográficas, foram importantes as informações propiciadas pelos processos de Arrendamentos e Aforamento do Instituto de Terras do Pará, bem como dos livros de titulação de terras, das memórias dos moradores da região e dos relatórios dos encontros de trabalhadores rurais do Baixo Tocantins, tais como: panfletos, periódicos e cartilhas da diocese de Cametá. Foram consultados também os arquivos da Federação de Assistência Social e Educacional (FASE), acervos do Serviço de Proteção Indígena (SPI), os relatórios do Vale do Tocantins que estão sob salvaguarda da Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e acervos pessoais de sujeitos sociais que vivenciaram a luta pela posse da terra na Amazônia, sobre a temática analisada.
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