Transformações republicanas, caminhos libertários: estratégias sindicais, antifascismo e uma visão democrática popular nos periódicos A Lanterna e A Plebe em tempos de corporativismo e nacional-estatismo no Brasil (1932-1935)
DOI:
https://doi.org/10.5433/1984-3356.2025v18n36p119-150Palavras-chave:
Anarquismo, Corporativismo, Antifascismo, Movimento Operário, Sindicalismo RevolucionárioResumo
Este artigo tem como objetivo analisar as posições anarquistas expressas na imprensa anticlerical e libertária entre o Governo Provisório (1930–1934) e o Governo Constitucional (1934–1937), sob a liderança de Getúlio Vargas, bem como as atividades militantes desenvolvidas nesse período. O recorte temporal é definido pelas fontes documentais utilizadas, em especial os periódicos A Lanterna (1933–1935) e A Plebe (1932– 1935). O estudo destaca as estratégias libertárias adotadas nesse cenário, como a construção de um discurso anticlerical, a atuação no sindicalismo revolucionário e o engajamento em frentes antifascistas. Além disso, embora mantendo uma postura antiestatista, os redatores e militantes anarquistas não se ausentaram dos debates sobre as transformações políticas em curso, articulando críticas ao processo por meio de seus jornais, ao mesmo tempo em que desenvolviam suas próprias propostas de autogestão.
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