Doenças pré-existentes e causas de óbito em idosos com 80 anos ou mais necropsiados em um serviço de verificação de óbitos de Florianópolis (2012–2022)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5433/1679-0367.2025v46n1p98

Palavras-chave:

Necrópsia, Idosos, Causa mortis, Doenças crônicas não transmissíveis

Resumo

Objetivo: Analisar as doenças pré-existentes e causas de óbito de idosos com 80 anos ou mais, necropsiados em um Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) de Florianópolis, no período de 2012 a 2022, segundo o sexo. Métodos: Estudo transversal com dados obtidos por meio das Declarações de Óbito digitais, disponibilizadas pelo SVO. As doenças pré-existentes foram separadas em grupos e as causas de óbito pela significância no evento. Resultados: Foram analisados 2.402 prontuários, sendo 60,7% de mulheres. As mulheres, em comparação aos homens, mostraram maior média de idade (87,9 vs 86,1 anos) e frequência das seguintes doenças/condições pré-existentes: Diabetes Mellitus (DM) (24,0% vs 17,3%), excesso de peso (3,1% vs 1,7%), Doença de Alzheimer (12,7% vs 9,7%) e Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) (51,5% vs 43,4%); a senilidade (2,3% vs 0,7%) prevaleceu como causa de morte B e o DM (1,8% vs 0,4%), como causa de morte D. Os homens mostraram maior frequência das doenças prévias, câncer (13,3% vs 7,5%), Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (5,8% vs 3,3%) e congestão pulmonar (8,4% vs 6,2%); a congestão e edema pulmonar (10,7% vs 7,6%) prevaleceram como causa de morte A; a cardiomiopatia dilatada (5,6% vs 3,3%) como causa de morte B; e o edema e congestão pulmonar (1,8% vs 0,8%), como causa de morte D. Conclusões: as doenças crônicas não transmissíveis prevaleceram entre as pré-existentes e as causas de morte, nos idosos avaliados. Os homens foram mais acometidos por doenças pulmonares e cardiovasculares, do que as mulheres.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Paola Pissaia, Universidade do Sul de Santa Catarina

Graduação em Medicina pela Universidade do Sul de Santa Catarina UNISUL, Tubarão, Santa Catarina, Brasil.

Lalucha Mazzucchetti, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutorado em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil. Nutricionista da Coor­denadoria Regional de Educação de Criciúma, Criciúma, Santa Catarina, Brasil.

Fernanda Cordeiro Gonçalves , Universidade do Sul de Santa Catarina

Graduação em Medicina pela Universidade do Sul de Santa Catarina, UNISUL, Tubarão, Santa Catarina, Brasil.

Gabriela Cirimbelli Maragno, Universidade do Sul de Santa Catarina

Graduação em Medicina pela Universidade do Sul de Santa Catarina, UNISUL, Tubarão, Santa Catarina, Brasil.

Carlos Otávio Gonçalves , Universidade do Sul de Santa Catarina

Mestrado em Ciências Médicas pela Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. Professor Titular da Universidade do Sul de Santa Catarina, Tubarão, Santa Catarina, Brasil.

Referências

American Diabetes Association. 2. Classification and Diagnosis of Diabetes. Diabetes Care. 2015 jan 1 [citado 2024 maio 21];38(Suppl 1):S8–16.

Brasil. Lei nº 14.423, de 22 de julho de 2022. Dispõe sobre o Estatuto da Pessoa Idosa e dá outras providências [Internet]. Brasília: Planalto; 2022. [citado 2024 maio 21]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14423.htm

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.

Ciosak SI, Braz E, Costa MFBNA, Nakano NGR, Rodrigues J, Alencar RA, et al. Senescência e senilidade: novo paradigma na atenção básica de saúde. Rev Esc Enferm USP. 2011 dez;45(spe2):1763–8.

Freitas LRS, Garcia LP. Evolução da prevalência do diabetes e da hipertensão no Brasil: análise da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 2003 a 2008. Epidemiol Serv Saude. 2012 [citado 2024 maio 21];21(1):7-19.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo Demográfico 2022: população por idade e sexo: pessoas de 60 anos ou mais de idade: resultados do universo: Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação. [citado 2024 mai 21]. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2102038

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Número de idosos cresce 18% em 5 anos e ultrapassa 30 milhões em 2017 [Internet]. Rio de Janeiro: IBGE; 2018 [citado 2024 maio 21]. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/20980

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). SIDRA. Indicadores de desenvolvimento sustentável. Tabela 1174 – Esperança de vida ao nascer [Internet]. s.d. [citado 2024 maio 21]. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1174#resultado

Jacob L, Breuer J, Kostev K. Prevalence of chronic diseases among older patients in German general practices. Ger Med Sci. 2016 mar 3 [citado 2024 maio 21].

Knihs NS, Silva LAA, Heidemann ITSB, Wosny AM, Monticelli M. A integralidade no cuidado de enfermagem à pessoa idosa na atenção primária à saúde. Esc Anna Nery. 2020;24(2):e20190263.

Krug RR, Schneider IJC, Giehl MWC, Antes DL, Confortin SC, Mazo GZ, et al. Fatores sociodemográficos, comportamentais e de saúde associados à autopercepção de saúde positiva de idosos longevos residentes em Florianópolis, Santa Catarina. Rev Bras Epidemiol. 2018;21:e180004.

Lima AP, Souza ER. Concepções de profissionais de saúde sobre os serviços e o cuidado à pessoa idosa em um centro de atenção psicossocial. Physis (Rio J.). 2020;30(2):e300205.

Lima MG, Silva SM, Stopa SR, Oliveira MM, Macinko J, Medina MG. Uso de serviços de saúde por adultos com e sem doenças crônicas, Brasil, 2013. Rev Saude Publica. 2017;51(Supl 1):1–10.

Malachias MVB, Plavnik FL, Machado CA, Malta D, Scala LCN, Fuchs S. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial: Capítulo 1 - Conceituação, Epidemiologia e Prevenção Primária. Arq Bras Cardiol. 2016 set;107(3):1–6.

Mendes EV. As redes de atenção à saúde. Cienc Saude Colet [Internet]. 2010;15(5):2297-305.

Ministério da Saúde (BR). O estigma social que envolve a saúde masculina. Brasília: Ministério da Saúde; 2022 [citado 2024 mai 21]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-exercitar/noticias/2022/o-estigma-social-que-envolve-a-saude-masculina

Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde; 2006

Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde. Vigilância de Doenças não Transmissíveis. Death certificate: instruction manual for completion. Brasília: Ministério da Saúde; 2022.

Muniz RMP, Souza-Silva VR. Percepção de idosos sobre o envelhecimento e a longevidade. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2010;13(1):55-66.

Organização Pan-Americana da Saúde. Folha informativa - Hipertensão. 2023 [citado 2024 mai 21]. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/hipertensao

Ramos LR, Tavares NU, Bertoldi AD, Farias MR, Oliveira MA, Luiza VL, et al. Polifarmácia e polidoença em idosos: um desafio em saúde pública. Rev Saude Publica. 2016;50(supl 2):9s.

Roth GA, Abate D, Abate KH, Abay SM, Abbafati C, Abbasi N, et al. Global, regional, and national age-sex-specific mortality for 282 causes of death in 195 countries and territories, 1980–2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. Lancet. 2018 nov 10 [citado 2024 maio 21];392(10159):1736–88.

Santana JSS, Jorge MSB, Queiroz AAR, Albuquerque RA, Moreira ACA, Santos MCS. Apoio social e rede social: estratégia de cuidado às pessoas idosas no cotidiano da atenção primária. Saúde Debat. 2021;45(129):803-16.

Santos JLG, Pestana AL, Guerrero P, Meirelles BHS, Erdmann AL. Coordenação do cuidado e a integralidade na atenção à saúde do idoso. Texto Contexto Enferm. 2018;27(2):1-10.

Santos WJ, Neves EB, Rosa C, Oliveira DR, Fonseca RB. A saúde do idoso na atenção básica: um estudo da produção científica brasileira. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2018;21(3):354-64.

Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. Instruções para preenchimento de Declaração de Óbito. [citado 2024 maio 21]. Disponível em: https://capital.sp.gov.br/web/saude/w/epidemiologia_e_informacao/mortalidade/5565

Sociedade Brasileira de Diabetes. Diabetes e saúde do coração: qual é a conexão?. [citado 2024 maio 21]. Disponível em: https://www.diabetes.org.br/noticias/3737-diabetes-e-saude-do-coracao-qual-e-a-conexao

Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes: 2017/2018. [citado 2024 maio 21]. Disponível em: https://diabetes.org.br/e-book/diretrizes-da-sociedade-brasileira-de-diabetes-2017-2018/

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Departamento de Patologia. Autopsia ou necropsia [Internet]. Rio de Janeiro: UFRJ [citado 2024 maio 21]. Disponível em: http://patologia.medicina.ufrj.br/index.php/metodos-de-estudo

Vasquez LM. Comportamento clínico-epidemiológico da hipertensão arterial sistêmica em idosos [trabalho de conclusão de curso]. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro; 2015.

Vieira FS. Qualificação da gestão do SUS: condicionantes e estratégias de fortalecimento. Cienc Saude Colet. 2009;14(Supl 1):1601-10.

World Health Organization. Monitor de progresso de doenças não transmissíveis. Relatório global. 2020 [citado 2024 maiO 21]. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/ncd-progress-monitor-2020

Downloads

Publicado

2026-02-25

Como Citar

1.
Pissaia P, Mazzucchetti L, Gonçalves FC, Maragno GC, Gonçalves CO. Doenças pré-existentes e causas de óbito em idosos com 80 anos ou mais necropsiados em um serviço de verificação de óbitos de Florianópolis (2012–2022) . Semin. Cienc. Biol. Saude [Internet]. 25º de fevereiro de 2026 [citado 27º de fevereiro de 2026];46(1):98-111. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/52424

Edição

Seção

Artigos