Detecção molecular de RNA do vírus da dengue em cães (Canis lupus familiaris) situados em importante município tricronteiral (Brasil x Argentina x Paraguai)
DOI:
https://doi.org/10.5433/1679-0359.2026v47n1p201Palavras-chave:
Arbovírus, Canídeos, Diagnóstico molecular, Saúde única.Resumo
Embora o papel dos humanos como principal hospedeiro na manutenção dos ciclos epidêmicos de alguns arbovírus esteja bem estabelecido, ainda não há consenso de que o vírus da dengue (DENV) possa ser mantido em regiões endêmicas por meio de um ciclo enzoótico. Assim, o objetivo deste estudo foi investigar a detecção molecular do RNA dos sorotipos 1, 2, 3 e 4 do DENV em cães semidomiciliados de áreas urbanas de Foz do Iguaçu, município endêmico para dengue localizado em uma região de tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Foram coletadas 100 amostras de sangue de cães residentes em dois hotspots de dengue humana. As amostras foram analisadas por qRT-PCR utilizando um ensaio comercial originalmente desenvolvido para diagnóstico em humanos. O controle interno endógeno 18S rRNA amplificou em todas as amostras, confirmando a integridade do RNA e a ausência de inibição detectável da PCR na matriz sanguínea canina sob as condições experimentais aplicadas. Foi possível identificar sinal de RNA do DENV-4 em seis (6%) dos animais, valor considerado epidemiologicamente elevado. Em uma região de Tríplice Fronteira, caracterizada por população flutuante, grande desigualdade social e diferentes normas legislativas entre os países, a inclusão de animais sentinela para dengue em programas de vigilância epidemiológica está alinhada às recomendações da OPAS. Os resultados obtidos fornecem evidência molecular da detecção de RNA do DENV em cães de áreas urbanas endêmicas e levantam importantes questionamentos sobre a possível relevância epidemiológica desses animais em ambientes urbanos endêmicos para dengue.
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