O transporte de passageiros em motocicletas por aplicativo (TPAM) emerge como solução controversa na mobilidade urbana brasileira. Este artigo analisa suas externalidades com base em revisão bibliográfica sistemática e análise de dados setoriais secundários, respondendo à questão norteadora: como equilibrar os benefícios e riscos do TPAM através de regulação municipal baseada em evidências? A pesquisa identifica impactos econômicos significativos (R$ 5,6 bilhões no PIB em 2023) e benefícios sociais, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade, que o percebem como alternativa segura contra violência de gênero. Contudo, persistem desafios relativos à segurança viária - embora dados sugiram menor sinistralidade no uso profissional versus pessoal -, precarização laboral e substituição de modos mais sustentáveis de deslocamento. Conclui-se que a regulação municipal deve transcender a dicotomia proibir/liberar, adotando abordagem baseada em evidências que mitigue trade-offs e maximize benefícios através de: padrões técnicos de segurança, proteção trabalhista, integração tarifária com transporte coletivo, transparência de dados e mecanismos de equidade territorial e de gênero. A internalização de externalidades negativas e o monitoramento contínuo são essenciais para proporcionar uma modalidade segura, justa e verdadeiramente integrada ao ecossistema de mobilidade urbana sustentável.