Territorialização Escolar do Projeto Político-Pedagógico: gestão democrática e formação continuada como formas de resistência docente

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5433/2447-1747.2026v35n2p173

Palavras-chave:

Geografia da Educação, formação de professores, território escolar, gerencialismo, Autonomia Docente

Resumo

O Projeto Político-Pedagógico (PPP) organiza práticas educativas, orienta a gestão democrática e explicita a identidade e a intencionalidade formativa da escola. Para a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), sua elaboração, pela comunidade escolar, deve incorporar as necessidades formativas dos estudantes e as especificidades socioterritoriais do contexto em que a escola se insere. Neste artigo, o PPP é analisado na interface entre Formação de Professores e Geografia da Educação, entendendo a gestão democrática como fenômeno territorial marcado por disputas de escala decisória e pela relação escola-comunidade. Analisa-se também sua atualização diante de políticas curriculares centralizadoras, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em uma escola de Foz do Iguaçu-PR. Os resultados reforçam a necessidade de formações continuadas voltadas à participação docente e à leitura crítica do território escolar, com implicações para o trabalho e a autonomia docente. A descentralização do PPP na escola pode fortalecer a autonomia pedagógica e a capacidade de inscrever no currículo as singularidades locais, enquanto processos de centralização e padronização tendem a deslocar a decisão para outras escalas, desterritorializando saberes e práticas locais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Alejandro Andrés Rebolledo Flores, Universidade Estadual do Oeste do Paraná

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL), da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE).

Marcelo Augusto Rocha, Universidade Federal da Integração Latino-Americana

Doutor em Ensino de Ciências, com ênfase em Geociências, pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Docente do Curso de Geografia Licenciatura da Universidade Federal da integração Latino-Americana (UNILA). 

Referências

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: 1988.

BRASIL. Ministério da Educação. Base nacional comum curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018.

BRASIL. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.: Brasília, 1996.

FERNANDES, Sérgio Brasil; PEREIRA, Sueli Menezes. Projeto político-pedagógico: ação estratégica para a gestão democrática. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 9, n. 4, p. 985-1006, 2014.

FOZ DO IGUAÇU. Lei 2.547 de 17 de abril de 2023. Dispõe sobre a criação do Sistema Municipal de Ensino – SME –, do Município de Foz do Iguaçu: Foz do Iguaçu, 2023.

FREITAS, Luiz Carlos de. Políticas de responsabilização: entre a falta de evidência e a ética. Cadernos de Pesquisa, v. 43, n. 148, p. 348–365, jan./abr. 2013.

FREITAS, Luiz Carlos de. A reforma empresarial da educação: nova direita, velhas ideias. São Paulo: Expressão Popular, 2018.

GADOTTI, Moacir. O projeto político-pedagógico da escola na perspectiva de uma educação para a cidadania. São Paulo: Acervo Moacir Gadotti, 2016. (Notas de palestras). Disponível em: https://gadotti.org.br/bitstream/123456789/457/1/AMG_PUB_03_026.pdf. Acesso em: 28 fev. 2026.

GANDIN, Luis Armando. Projeto político-pedagógico: construção coletiva do rumo da escola. In: LUCE, Maria Beatriz; MEDEIROS, Isabel Letícia Pedroso de (org.). Gestão escolar democrática: concepções e vivências. Porto Alegre: UFRGS, 2006. p. 67-71.

GIORDANI, Ana; GIROTTO, Eduardo Donizeti; SOARES, Marcos de Oliveira. Produzir a política a partir da escola: geografia da educação, docências e espacialidades escolares. Revista da ANPEGE, v. 18, n. 36, p. 316-333, 2022.

GIROTTO, Eduardo Donizeti. A dimensão espacial da escola pública: leituras sobre a reorganização da rede estadual de São Paulo. Educação & Sociedade, Campinas, v. 37, n. 137, p. 1121-1141, out./dez. 2016.

GIROTTO, Eduardo Donizeti. Dos PCNs à BNCC: o ensino de geografia sob o domínio neoliberal. Geo UERJ, Rio de Janeiro, n. 30, p. 419–439, 2017.

GIROTTO, Eduardo Donizeti. A condição espacial da formação docente em geografia: intersecções entre geografia da educação e saberes docentes. 2023. 214 p. Tese (Livre-docência em Geografia). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Departamento de Geografia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023.

IMBERNÓN, Francisco. Formação Continuada De Professores. Porto Alegre: Artmed, 2015.

LOPES, Corinne Julie; MACHADO, Lucília Regina. Projeto político-pedagógico como instância de gestão social da educação. Pretexto, Belo Horizonte, v. 15, n. 3, p. 90-105, jul./set. 2014.

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: EDUSP, 2006.

SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. São Paulo: Autores Associados, 2008.

SOUZA, Denise Trento Rebello de. Formação continuada de professores e fracasso escolar: problematizando o argumento da incompetência. Educação e Pesquisa, [s. l.], v. 32, n. 3, p. 477–492, 2006.

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2014.

VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Projeto Político-Pedagógico e gestão democrática. [s. l.], 2009. Disponível em: https://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/download/109/298/623. Acesso em: 28 fev. 2026.

VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção coletiva. In: VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. Campinas, SP: Papirus, 2023. p. 11-35.

Downloads

Publicado

2026-06-25

Como Citar

Flores, A. A. R., & Rocha, M. A. (2026). Territorialização Escolar do Projeto Político-Pedagógico: gestão democrática e formação continuada como formas de resistência docente. Geografia (Londrina), 35(2), 173–192. https://doi.org/10.5433/2447-1747.2026v35n2p173